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Largo 1º de Maio regista 2ª manifestação para exigir repatriamento de capitais

Com cartazes escritos “devolvam ao estado o dinheiro roubado”, “repatriamento sim, mas lavagem de dinheiro não” e “nesta bandalheira não alinho”, entre outros, dezenas de pessoas reuniram-se, pela segunda vez, ontem, para exigir que seja devolvido o dinheiro surripiado dos cofres do Estado A concentração está associada à Proposta de Lei de Repatriamento de Recursos Financeiros Domiciliados no Exterior do País, de iniciativa do Presidente da República, e o Projecto de Lei do Regime Extraordinário de Regulação Patrimonial, proposto pela UNITA, o maior partido da oposição.

“Repatriamento sim, mas lavagem também é chamada na manifestação pelo facto de a proposta de lei permitir que o dinheiro “regresse” sem que se façam perguntas sobre a sua origem. Os manifestantes não concordam com esta ideia por acharem que não se vai fazer justiça. “Ao roubarem o erário público estas classes políticas roubam as escolas, os hospitais e a dignidade da vida de um povo que morre dia após dia. Por correrem risco de perderem o dinheiro, inventaram o presente de repatriamento de capitais. A lei que querem fazer aprovar é imoral e sem o mínimo de justiça”, lê-se na declaração da manifestação.

Os manifestantes acreditam que “esta amnistia fiscal” não trará benefício ao país, pois nenhum país sobrevive com tanta amnistia fiscal. “Nós temos que considerar esta lei improcedente. Ladrão não é patrão”, reforçou, no megafone, Laura Macedo e todos repetiam em voz alta a última frase. Para a activista, é também importante que o debate sobre a mesma lei seja mais aberto a outros extractos da sociedade, vaticinando que o Estado possa ter o apoio dos países onde esse dinheiro e bens conseguidos com este dinheiro estão domiciliados. Por outro lado, para Paulo António, um dos manifestantes, que por sinal está a cumprir o propósito de andar descalço para o bem de Angola, é fundamental que este dinheiro esteja no nosso país, não apenas por ser dele, mas porque muito precisamos dele.

Deu o exemplo dos professores, cuja greve terminou recentemente, que precisam de dinheiro, bem como dos hospitais, e que não se compreende a razão de permanecer ainda fora do país. “O meu propósito de estar descalço vai valer muita coisa. Angola não pode ser um país em que cada um vem e tira o seu naco. Estamos a manifestar para o bem do povo angolano”, disse. No considerado dia da juventude angolana, o Largo 1º de Maio registou mais uma manifestação, sem que os activistas fossem presos ou chicoteados. A manifestação decorreu sem nenhum sobressalto.

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