Olho no negócio

Circulou na semana passada a notícia segundo a qual uma médica proibiu uma equipa de vacinação de fazer o seu trabalho num condomínio, porque, segundo ela, as campanhas de vacinação são para os pobres.

POR: José Kaliengue

Vendo bem, ela tem uma certa razão, se fôssemos um país em que o Governo não nos tratasse como pobres, e não nos atirasse para a pobreza, não precisaríamos de campanhas, cada criança seria vacinada no hospital, normalmente, com o seu médico pediatra, no seguimento normal que cada criança tem de ter, pelo menos até aos seis anos de idade. E estas vacinas e acompanhamento deveriam ser gratuitos. Se assim fosse, não precisaríamos de campanhas a toda a hora. Se calhar as crianças do condomínio têm o tal acompanhamento, o que ilustra a forma como os angolanos são tratados no seu país, uns são cidadãos de primeira categoria e outros de segunda ou terceira. Os cidadãos de primeira categoria vivem nos condomínios e têm creche no condomínio e até um médico para seguir as crianças. Os outros, a maioria, nem creche têm. Nem casa têm. Têm casebre, como gostam de dizer os cidadãos de primeira, alguns até governantes, que não conseguem explicar de onde lhes veio o dinheiro para comprar casas em condomínios, tal como os médicos que desviam as crianças das campanhas para a vacinação na clínica particular não explicam como obtiveram as vacinas que não importam. Na verdade, a médica não tem tiques de snob, apenas alinhou na lógica de fazer negócio com a saúde dos outros. Porque as crianças do condomínios terá de ser vacinadas de qualquer forma. Execrável!