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Centro de formação feminino do Uíge prevê reduzir desigualdades de género

A instituição, aberta oficialmente ontem, é a primeira do género na província depois do período colonial, vocacionada para a formação integral de raparigas com dificuldades sociais (desde a componente técnicoprofissional ao cultural)

Texto de: Domingos Bento

Nos próximos dias, o Centro de Formação Feminino das Irmãs da Misericórdia do Uige, localizado no município do Songo, província do Uíge, começa a formar as primeiras jovens mulheres nas mais diversas áreas de actividade técnico-profissional. A instituição, aberta oficialmente ontem, é a primeira do género na província, depois do período colonial, vocacionada na formação integral (desde a componente técnico-profissional e cultural) de raparigas com dificuldades sociais.

A partir da próxima semana, dezenas de meninas, entre os 17 e os 30 anos de idade, vão ser inseridas no ciclo formativo gratuito, em que poderão aprender um conjunto de artes e ofícios que lhes irá permitir desenvolver as suas habilidades e criar independência financeira.

A construção da obra e o seu apetrechamento foi da responsabilidade do Ministério da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social (MPATSS) que, posteriormente, entregou às Irmãs da Misericórdia, que, desde 1982, trabalham no país auxiliando o Estado em matéria de Saúde, Educação e assistencial social às comunidades mais carenciadas.

Para além das alunas, o Centro, construído de raiz e equipado com salas de aulas, dormitórios, cozinhas e outros com- Vista frontal do Centro de Formação Profissional partimentos, vai ainda albergar parte das freiras do grupo das Irmãs da Misericórdia que tinham dificuldades de moradia.

De acordo com a madre superior Teresa Mamona, com a abertura do Centro prevê-se, a partir deste ano, trabalhar afincadamente, de forma a reduzir os níveis de desigualdades e de oportunidades entre homens e mulheres, por via de um amplo programa de formação técnicoprofissional, vocacionado para raparigas em situação de vulnerabilidade social. Segundo a madre, no passado, a ausência de projectos específicos direccionados para a potencialização das mulheres contribuiu para a discriminação e falta de ascensão de muitas raparigas, tendo essa situação impedido o desenvolvimento social de várias comunidades.

Assim, de forma a contrariar o quadro, a Igreja pediu ao MPATSS, no âmbito da formação técnico-profissional, que se construísse uma infra-estrutura de raiz que oferecesse oportunidades de formação em diversas especialidades para que as beneficiarias encontrem um equilíbrio social.

“Na maior parte dos municípios da província, sobretudo os mais rurais, os níveis de desigualdades sociais ainda são alarmantes, com os homens a liderarem as oportunidades de emprego e de formação técnico- profissional, em detrimento das mulheres, cuja actividade diária circunscreve-se à lavra e em outras actividades domesticas.

Precisamos de alterar esse cenário, dando formação às nossas jovens para que possam competir de igual forma com os homens”, defendeu. De todos e para todas Por seu lado, o ministro da Administração Publica, Trabalho e Segurança Publica, Jesus Maiato, esclareceu que, apesar de estar ligada à Igreja Católica, a instituição vai albergar raparigas de todos os credos religiosos.

E, para além da componente profissional, a instituição pretende igualmente orientar as jovens raparigas em matéria de educação cultural, princípios morais e da boa convivência comunitária.

“A nossa ideia é tornar as nossas jovens mulheres completas, independentemente da religião que professam. Todas podem cá vir e encontrar a oportunidade de desenvolver as suas habilidades”, frisou.

Segundo ainda Jesus Maiato, a criação do Centro parte da necessidade de se prestar uma atenção especial ao grupo de mulheres que, devido a várias situações sociais, não tiveram a oportunidade de usufruir de uma formação técnico-profissional que lhes pudesse servir de base de sustento. Além do Uíge, as províncias do Huambo e a do Cuanza-Norte também já contam com instituição do género.

A ideia, segundo Jesus Maiato, é continuar a estender o programa em outras partes do país, de forma a tornar as oportunidades mais extensivas e abrangentes todas raparigas carenciadas.

Para o governante, se as mulheres forem competentemente formadas, como tem vindo a acontecer dentro do Plano Nacional de Formação Profissional, os níveis de pobreza poderão vir a ser reduzidos, já que elas terão a oportunidade de competir directamente com os homens, sem medo da concorrência.

“Se potencializarmos as mulheres, estamos directamente a potencializar as famílias. Por esse motivo é que estamos a estender essa tipologia de centros para que possamos alavancar o desenvolvimento. Agora, o que é preciso é que as próprias beneficiárias aproveitem estas oportunidades”, atestou.

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