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Gabriel Cabuço: “A promoção e divulgação do livro e da leitura no país deve ser tarefa da sociedade”

O director do Instituto Nacional das Industriais Culturais e Criativas (INIC), Gabriel Cabuço, considerou que a questão da promoção livro do livro e da leitura no país deve ser encarada como uma tarefa da sociedade, que começa em casa, com orientações dos pais e encarregados de educação

Texto de: Antónia Gonçalo

responsável fez estas considerações em alusão ao Dia Internacional do Livro e dos Direitos Autorais, que se assinala hoje, 23. Em declarações a OPAÍS, Gabriel Cabuço disse que o ministério da Cultura tem trabalhado com o ministério da Educação, no sentido de orientar as escolas, associações culturais e religiosas a promover e divulgar o livro e consequentemente a leitura.

O responsável considerou importante a realização de actividades e manifestações culturais, que visem incentivar a leitura no seio da sociedade. Considerou por outra via, a importância da existência em escolas de salas de leituras, de modo a permitir a que os estudantes tenham contacto com os livros desde os primeiros níveis escolares. “O ministério da Educação é um parceiro importante para o projecto de divulgação do livro e da leitura do ministério da Cultura, assim como as igrejas.

É preciso que continuemos a trabalhar juntos para alavancar o sector do livro e consequentemente a leitura. Como é sabido, o livro é um mestre mudo que pode mudar a maneira de pensar de um cidadão”, apontou. Gabriel Cabuço realçou que o trabalho realizado com o ministério da Educação está relacionado com a realização de actividades como a Biblioteca de Turma, em mais de 100 escolas que visa incentivar a leitura no seio dos estudantes.

O responsável apontou o ministério da Educação como um forte parceiro do ministério da Cultura, no sentido de uma maior abertura para a promoção, divulgação e dinamização do livro e da leitura, por agregar indivíduos de várias faixas-etárias. Efeméride Quanto ao Dia Internacional do Livro e dos Direitos Autorais disse ser de suma importância, por tratar- se de uma data que convida os cidadãos a reflectirem sobre este veículo de conhecimento, comunicação, entretenimento e Cultura, que permite às sociedades elevarem a sua inteligência, intelectualidade e liberdade.

“Se vermos os beneficiários do livro no mundo, e em Angola em particular, diria que o ministério da Educação tem um papel fundamental, por congregar cidadãos das várias farias etárias (infantil, jovem e adultos).

Se pretendemos mudar a questão do rumo do livro no país, para os níveis que pretendemos atingir precisamos trabalhar com esse ministério”, apontou. Para celebrar a data o responsável avançou que o ministério da Cultura em colaboração com o ministério da Educação orientou as escolas a realizarem actividades que visem incentivar e promover o livro.

Produção Falando sobre a produção de livros no país, o director do INIC referiu que actualmente, a situação económica que o país vive não lhes permite efectuar tal acção, mas têm apoiado institucionalmente os autores, na fase inicial das suas obras, como a revisão e paginação.

Disse ainda que, hoje em dia, não se fazem grandes tiragens à semelhança de outros tempos, devido à fraca capacidade financeira, quer a nível do Estado, como das editoras. “O livro não deixou de ser afectado por essa mudança, mas apesar do facto temo-nos empenhado a que sejam publicados, divulgados e promovidos, quer a nível do país como no exterior.

O INIC tem dado instruções de como o autor deve se desdobrar, no âmbito do mercado do livro, porque há de facto obras interessantes que as editoras privadas editam”, aferiu.

O responsável reiterou que O INIC, enquanto órgão tutelado pelo ministério da Cultura tem orientações precisas sobre este domínio, que é apoiar a divulgação da literatura angolana no interior como no exterior do país, de modo a fazer com que os vários autores beneficiem do livro, para que haja uma expansão da leitura em todo país, com destaque nas regiões onde o livro não é comercializado. Avançou que no âmbito destes objectivos existem planos de acções, que contribuem para que as referidas tarefas sejam concretizadas.

Trata-se da produção e divulgação de autores nacionais de referência, o programa voltado para a camada jovem e infantil denominado “Jardim do Livro Infantil”, a divulgação e valorização ao incentivo à criação literária que se enquadram nos prémios literários “Sagrada Esperança”, “António Jacinto”, que segundo ele, têm permitido o surgimento de novas obras e autores. Gabriel Cabuço disse ainda que além do INIC existem associações e editoras que promovem os prémios e produzem livros, facto que considera relevante para a literatura nacional.

Distribuição de livros

A distribuição de livros aos vários pontos do país é feita mediante acções ligadas ao programa traçado pelo ministério da Cultura, com vista a promover o desenvolvimento da leitura na sua distribuição ao nível do país. O responsável realçou que anteriormente era feita a tiragem de mais de 200 mil livros, mas que desde 2015 o número reduziu gradualmente, sendo que no ano passado fez-se a distribuição de cerca 20 mil livros em todo o país.

Quanto ao plano de acção para o ano em curso avançou que o assunto está a ser analisado, mas devido às distribuições de livros feitas em grande escala nos anos anteriores, orientaram-se as direcções provinciais da Cultura a trabalharem com o material em stock.

Disse ainda que a entrega de malas, no quadro do programa “A minha primeira mala de leitura”, que era entregue às escolas, com a redução da produção de livros, passou a ser entregue aos alunos mais destacados. Segundo Gabriel Cabuço, periodicamente são distribuídos livros infantis, no âmbito do programa “Jardim do Livro Infantil” e “A minha primeira mala de leitura”, com base nas orientações dadas pela ministra da Cultura, Carolina Cerqueira, segundo a qual de-vem trabalhar com as escolas.

“Estes programas visam levar os livros aos estudantes, visto que as livrarias são poucos visitadas devido ao défice de leitura e pelo facto de grande parte delas encontrarem-se no centro da cidade. Gostaríamos de ver mais livrarias a surgirem em vários pontos do país, e que nelas tivessem maioritariamente incluída a literatura angolana”, considerou.

Gabriel Cabuço referiu ainda que têm incentivado as editoras para a distribuição de livros no país, tendo realçado ser responsabilidade do INIC levar o livro às regiões longínquas, onde os autores por diversas razões não conseguem chegar. Apontou ainda que o pelouro que dirige apenas está a trabalhar com uma editora.

Pelo que gostariam que mais distribuidoras entrassem no mercado, de modos a poderem expandir mais rapidamente o livro, de maneira a que se possa vir a ter um mercado mais compacto, em que o livro possa ser lido em diferentes camadas sociais”. Projectos Para apresente edição do “Jardim do Livro Infantil” realçou que têm disponíveis um número reduzido de livros, mas de acordo com as necessidades a nível das províncias, será orientada a distribuição do material.

O responsável referiu que para o festival realizado no final do mês de Junho, pretende- se distribuir um número próximo aos das edições anteriores, de 15 mil exemplares em todo o país. “Estamos a trabalhar para a sua concretização. Nesta senda, tudo faremos para que o número próximo do habitual esteja disponível.

Temos mantido contacto com as direcções provinciais da Cultura para que tudo corra conforme as edições anteriores. Por outro lado, Gabriel Cabuço, fez saber que o ministério da Cultura pretende relançar a Associação dos Editores e Livreiros de Angola, que se encontra inactiva há cinco anos.

A referida Associação terá como finalidade inventariar os dados sobre o movimento do livro no país, para além da realização de várias actividades, como Workshops sobre edição e de livreiros, de modos a capacitar os editores livreiros de algumas ferramentas para o seu funcionamento.

A data

O dia 23 de Abril foi proclamado em 1995, pela organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), como Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor.

Este dia propicia uma oportunidade para reflectirmos sobre maneiras de melhor disseminar a cultura da palavra escrita e de permitir que todos os indivíduos, homens, mulheres e crianças, tenham acesso a ela, por meio de programas de alfabetização e de apoio a carreiras em publicações, livrarias, bibliotecas e escolas.

Os livros são aliados para disseminação da educação, da ciência, da cultura e da informação pelo mundo. Todas as formas de livros são uma contribuição valiosa para a educação e para a disseminação da cultura e da informação.

A diversidade de livros e o conteúdo editorial são fontes de enriquecimento que nós devemos apoiar, por meio de políticas públicas apropriadas, e proteger contra a uniformidade.

Essa “bibliodiversidade” é a nossa riqueza comum, que faz dos livros muito mais do que objectos físicos, porque eles são a mais bela invenção para compartilhar ideias além das fronteiras do espaço e do tempo.

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