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Farda e honra

Ao exonerar o chefe do Estado- Maior General das Forças Armadas Angolanas (CEMGFAA), o Presidente da República, João Lourenço, veio derrubar um dos maiores mitos da nossa sociedade: o da intocabilidade dos generais. Acabou o “cuidado que eu sou general”.

POR: José Kaliengue

Era uma ideia que se tinha cimentado em Angola, a de uma suposta casta, dos generais, supostamente com mais poder do que a lei. Aliás, ao apelar aos militares para que ajudem na moralização da sociedade, João Lourenço está, simultaneamente, a pedir-lhes solidariedade na causa, mas também a adverti-los sobre a lei, que se fará cumprir. Mas o caso de Nunda, o ex-CEMA-FAA, não é o primeiro de um general caído em “desgraça”, a nossa história recente tem vários registos. Nunda tem agora a oportunidade de se defender, depois de constituído arguido num caso que corre na Procuradoria Geral da República e que envolve uma tentativa de burla ao Estado em muitos milhões. Passamos de oito para oitenta e “desgraçamos” todos os generais? Não, claro. Era o que faltava! Passamos é a ter mais cuidado, a observar a lei e a perceber que num Estado de Direito a patente vermelha não significa impunidade. E nem tal ideia pode ser passada aos cidadãos. Porém, a farda continua a “envergar” uma honra que deve ser respeitada. O Presidente devolveu a Nunda este respeito e a honra de se defender livremente. É o que de mais sagrado deve haver para cada cidadão nacional.

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