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Chuva em Luanda cria oportunidades para novos negócios

Chuva em Luanda cria oportunidades para novos negócios Botas de saco, aluguer de botas de borracha, lavagem de pés e transporte de pessoas em carros de mão, entre outros, são as maneiras de lucrar que muitos jovens adoptaram, nos mercados de Luanda, em época de chuva. O negócio é tão lucrativo que a maior parte deles deixou as suas actividades anteriores

  • Texto de:Brenda Sambo
  • Fotos de: Pedro Nicodemos

Numa altura em que a crise se faz sentir e Luanda regista fortes chuvas, muitos jovens accionaram a criatividade para empreender. OPAÍS rumou ao mercado do Kicolo, localizado no município do Cazenga, onde as pessoas se aproveitam do mau estado das vias de acesso ao mercado, normalmente a lama e a água parada, para fazerem algum dinheiro.

Georgina António deixou de vender cerveja na barraca para alugar botas de borracha a quem deseja entrar no interior do mercado, de forma a facilitar o trânsito. Com este novo negócio chega a facturar mais de nove mil Kwanzas por dia, diferente daquilo que ganhava no seu negócio anterior.

O aluguer de um par de botas custa Kz 200, sendo que, dependendo do dia, a facturação ronda entre os sete mil Kwanzas e os 10 mil Kwanzas.

A vendedeira contou ainda que as Terças-feiras e Sábados são os dias em que mais factura, por serem de maior afluência ao mercado. Georgina gaba-se de estar a ganhar mais no negócio das botas do que nos da bebida, pois, desde Janeiro do presente ano até Março, contabiliza uma facturação de mais de 300.000 mil Kwanzas (trezentos mil Kwanzas).

Para levar as botas, o cliente deixa como garantia o seu calçado, mas, apesar disso, existem algumas pessoas que já não regressam com as botas. Um par de botas de plástico tem o custo avaliado de Kz 1500 a Kz 2000, pelo que, para muitos clientes é preferível furtar.

No mesmo mercado, encontramos o jovem Francisco Chatula, vendedor de sacos, que aproveita a ocasião para fazer botas de sacos a quem deseja entrar no interior do mercado. Sempre muito atento e dinâmico, o vendedor fica perto das paragens de táxis para incentivar os clientes a “fitacolar” os sacos em forma de bota.

Normalmente Francisco compra as embalagens de sacos num dos armazéns do mercado em causa, no valor de Kz 1.000 (mil Kwanzas). Entretanto, o vendedor cobra Kz 100 só de “fitar” as referidas botas feitas com sacos. Diariamente chega a “fitar” mais de 20 pessoas o que perfaz um lucro de Kz 2.000 (dois mil Kwanzas).

Com o dinheiro que ganha sustenta a sua mãe e paga o colégio (mensalmente Kz 4500) em que frequenta actualmente a 12 ª classe.

Água com detergente em pó embalado

Já no interior do mercado, também perto de uma poça de lama, encontrámos Julieta Glória a comercializar água com detergente “omo”, em embalagens pequenas. Parece água para beber, mas na verdade a mistura com detergente em pó serve para lavar os pés.

É uma oportunidade de negócio que viu, depois de registar que muita gente que frequentava o mercado, depois das compras tinha os calçados cobertos de lama ou os pés empoeirados.

Assim, cada saco com aproximadamente 350ml fica no valor de Kz 10. Julieta Glória, que habitualmente vendia bolos no mercado, conta que também largou o negócio anterior para vender “água com omo”, de modo a aproveitar a época chuvosa e o mau estado do mercado.

Cada bidão de 50 litros de água compra-o a Kz 50, do qual consegue fazer diariamente cerca de Kz 750, por bidão. Enquanto a nossa interlocutora “zunga” água com detergente em pó no interior do mercado, há quem prefira montar duas banheiras com o mesmo produto fora do mercado, para lavar os pés e escovar os calçados de quem por aquele mercado passe, como é o caso de Teté Domingos.

De acordo com a comerciante, que deixou de vender água mineral e gasosa naquele mercado para lavar pés e calçados, a lavagem custa Kz 50. Teté diariamente atende 20 a 25 pessoas e, dependendo do dia, factura de Kz 1.500 a Kz 2000 (dois mil Kwanzas). “Estou a fazer o negócio por causa das chuvas e também para ajudar as pessoas que sujam o seu calçado aquando da visita ao mercado”, defende.

Quem elogiou a iniciativa das comerciantes foi Celeste Avelino, uma das clientes que lavava os pés na altura em que a nossa reportagem rondava o Kicolo. “Quando chove fica difícil andar no mercado, por causa da lama e da água, para além do facto de esta lama e água poderem trazer doenças”, disse.

Já no Calemba II, no município de Belas, para finalizar a nossa ronda, encontrámos Jacinto Amaral, de 24 anos, carregador de bagagem em carro de mão, também conhecido como roboteiro, que aproveita a época chuvosa para transportar algumas pessoas no seu carrinho.

O transporte facilita a travessia nas zonas com lamaçal, cobrando Kz 50. O período da manhã tem sido o mais concorrido e, por isso, aproveita o período da tarde, quando tem poucos clientes que queiram atravessar, para trabalhar como carregador de bagagens. Diariamente, transportando pessoas, Jacinto faz cerca de Kz 1.000.

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