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A alta do preço do crude e as reservas internacionais

A preço do petróleo bruto (Brent Crude) superou a barreira dos 75 USD/barril nos mercados internacionais, durante a última semana do mês de Abril. Já lá se vai o tempo em que chegou a transaccionar abaixo dos 30 USD/barril, como aconteceu em 2016

A entrada em vigor do acordo de corte de produção, a partir de Janeiro de 2017, tendo como intervenientes os países que integram a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e os seus aliados (Rússia, Cazaquistão e Omã), com o intuito de reduzir o excesso de oferta da matéria-prima no mercado, impulsionou a cotação internacional do crude.

O primeiro acordo de corte de produção desde 2008 estabeleceu como objectivo a redução da oferta da OPEP para 32,5 milhões barris/ dia, com prazo inicial de seis meses, sendo posteriormente prolongado para final de 2018. A Líbia e a Nigéria ficaram isentos de cortes, devido aos conflitos internos que condicionavam a capacidade produtiva nestes países.

A Arábia Saudita, maior produtor, com uma produção que ascendia os 10 milhões barris/dia, teve o maior corte de produção, aproximadamente 486 mil barris/dia. A oferta petrolífera da organização ao longo de 2017 situou-se em 32,4 milhões barris/dia, que representa uma redução de 0,8% face ao ano anterior.

O registo anterior contribuiu para que o Brent encerrasse o ano de 2017 com uma cotação de 66,87 USD/barril, o melhor registo dos últimos 4 anos, que corresponde a um aumento de 17,7% face ao período homólogo. O WTI seguiu a mesma tendência, com uma valorização de 12,5%, situando-se em 60,42 USD/barril.

Para o ano de 2018, apesar do optimismo nos mercados internacionais, o Governo manteve uma postura conservadora, ao fixar o preço do barril de petróleo em 50 USD, que resulta numa diferença que ascende 20 USD/barril face ao estimado por instituições como o banco de investimento Goldman Sachs.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump criticou a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), no dia 20 de Abril do ano corrente, por considerar que os preços da matéria-prima estão artificialmente altos, em consequência do acordo de corte da produção de crude adoptado pelos membros da organização e aliados.

Apesar da melhoria do preço do crude, em níveis relativamente altos e estáveis desde 2017, a mesma não se tem traduzido em aumento das Reservas Internacionais Líquidas, no nosso país.

A perda líquida de divisas explicada pela intervenção no mercado cambial (compras e vendas) atingiu 2,8 mil milhões de USD, o que apenas explica em parte a quebra de 7,2 mil milhões nas reservas do BNA em 2017. A mobilização líquida de depósitos em moeda estrangeira por parte da Administração Central voltou a aumentar significativamente no último trimestre de 2017, atingindo 2,1 mil milhões de USD.

Tendo em conta esse aumento, a mobilização de depósitos por parte da Administração Central atingiu o nível recorde de 4,4 mil milhões de USD em 2017. Assim, 60% da perda de reservas do BNA em 2017 é explicada pela mobilização de depósitos em moeda estrangeira por parte da Administração Pública.

Em comparação, apenas 15% da perda de reservas do BNA ocorreram devido a mobilização de depósitos por parte do Estado em 2016. De acordo com estes dados, a maior perda de divisas por parte do BNA em 2017 não teve como contrapartida uma aceleração da venda de divisas por parte daquela instituição.

Em 2017, as vendas de divisas atingiram 11,8 mil milhões de USD, o que constitui um aumento ligeiro face aos 11,1 mil milhões colocados em 2016. Relativamente à compra de divisas por parte do BNA, estas evoluíram muito moderadamente ao longo dos primeiros três trimestres de 2017, mas dispararam no último trimestre.

No conjunto do ano, o volume total de compras de divisas por parte do BNA atingiu 9 mil milhões de USD, o que compara com 8 mil milhões em 2016. O elevado serviço da dívida apresenta-se como uma das principais condicionantes para as Reservas Internacionais Líquidas.

Deste modo considera-se imperativo o aprofundar do processo de consolidação fiscal, para que se evite o desvio dos recursos públicos para o cumprimento destes compromissos. O processo de gestão eficiente das despesas poderá permitir que o registo positivo do sector petrolífero apresente impacto significativo sobre as Reservas nacionais.

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