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Especial Dia Do Trabalhador // A “reza” dos desempregados

Com o advento da crise e o consequente ”boom” no desemprego em Angola, algumas igrejas têm intensificado as suas jornadas de oração, que visam solicitar “que o Senhor interceda” pelo emprego ou pelo sucesso financeiro, estas são orações específicas em que algumas pessoas acreditam, e outras nem por isso

Texto de: Romão Brandão

Entre as várias actividades que são objecto social da igreja, tais como a cura de doenças, o reforço da fé ou a protecção da família, aquelas que abordam questões especificamente relacionadas com o emprego ou o sucesso profissional e financeiro têm atraído muito boa gente que logo se converte como seus fiéis.

Algumas igrejas o caracterizam tais iniciativas como “culto de libertação”, outras como de “sucesso”, enquanto noutras o foco é precisamente o “emprego”. Segundas, Quintas e Sextasfeiras são os dias habitualmente escolhidos para este tipo de culto, no período nocturno. Há quem consiga a “recompensa divina”, com “muita fé” e bastante sacrifício à busca do que lhe terá levado a participar nestes cultos: um emprego, porque as orações são focadas nesta conquista.

Apesar de muita gente não acreditar que seja possível conseguir emprego desta forma, outras inclusive defendem que tudo não passa de manipulação psicológica, a ronda do Jornal OPAÍS mostrou o contrário. Na Igreja Missionária do Recomeço (IMR), por exemplo, a acção é sustentada com palestras de motivação para despertar a Fé dos membros e os seus talentos.

O pastor Nelson Gamboa revelou que o encontro específico para quem está desempregado é às Segunda-feiras, às 6, às 15 e às 18 horas, bem como para quem tem negócio e não tem logrado progressos. “Ensinámos também a desenvolver o negócio, pois algumas pessoas preferem ficar sem vender a baixar o preço do produto, por exemplo”.

O papel da igreja é levar o cidadão a acreditar em Deus e que Ele pode abrir uma porta, por isso, na IMR levam as pessoas a não entrarem em desespero, a ressuscitar o espírito empreendedor e colocar o talento em acção e sair do desemprego.

O culto também ensina as pessoas desempregadas a não terem medo de procurar emprego, a redigir correctamente uma carta de pedido de emprego, a eleger “Deus como o seu padrinho na cozinha”. Dependendo do dia, uma média de 30 fiéis participam nesse encontro.

“Temos uma fiel que perdeu o emprego, apesar da sua competência, eu pedi-lhe que trouxesse o seu curriculum vitae, rezamos e abençoei, pedi que acreditasse no seu potencial e, graças a Deus, hoje é a directora dos Recursos Humanos”, confessa o pastor, orgulhosamente.

Ter confiança em Deus

A fiel em causa é Paula Ribeiro, que acha importante que o homem de Deus (o pastor) nos indique o caminho a seguir, e com oração, conseguir emprego. A entrevistada referiu ter sido demitida injustamente, e por ter confiança em Deus, conseguiu resolver o seu problema batendo portas e benzendo o curriculum.

É formada em recursos humanos, caiu no desemprego há trêses meses aproximadamente e voltou a ser empregada na mesma esfera de actividade. Paula invocou a passagem bíblica que diz “o meu povo sofre por falta de conhecimento”, para dizer que ao invés de as pessoas ficarem presas em lamentações por falta de emprego, é fundamental que conheçam a verdade e corrijam os seus erros.

Por outra, para os jovens que não acreditam nestes “cultos” afirmou que “falta de sabedoria é cegueira e não acreditando, pior ainda. Convida aqueles que ainda não conhecem a palavra do Senhor, a fazê-lo. Hoje, mesmo já tendo emprego, continua a participar nesses encontros, como medida de reforço.

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