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Especial Dia Do Trabalhador // Como manter o emprego em tempo de crise?

Num mundo cada vez mais concorrido e com inúmeras empresas a encerrarem as portas afectadas pela crise, especialista fala do perfil que o funcionário deve manter e realça que além do salário as empresas devem ter outras formas de motivá-los

Texto de: Milton Manaça

O gestor de recursos humanos Adão Silva considera que a competência é a chave para manter o posto de trabalho, numa altura em que a procura por um emprego multiplicou e o nível de desemprego acentua-se a cada dia que passa, por causa da crise que o país enfrenta.

Adão Silva diz que a superação diária, através da formação contínua, é, no actual contexto, preponderante para qualquer trabalhador que almeje tornar-se uma peça fundamental e engradecer a empresa para continuar firme no seu posto de trabalho.

A dificuldade financeira que o país atravessa tem reflexo no quotidiano dos funcionários e deve ser aproveitada para as empresas investirem na sua força de trabalho e, desta forma, enfrentarem com mais agressividade a concorrência.

Actuando no ramo dos recursos humanos há mais de 15 anos, Adão Pascoal entende que o salário não devia ser o único elemento motivacional nas empresas e aponta a disponibilização de um seguro de saúde, cursos de formação profissional e o bom ambiente, como elementos cruciais que contribuem no rendimento dos funcionários.

“Tem-se dito que um trabalhador satisfeito é um trabalhador produtivo. Quando ele sabe que o filho ou esposa está doente e não tem condições para levá-lo a uma clínica e comprar os medicamentos, não dá o seu melhor na empresa”, realça Adão Pascoal.

Segundo o especialista, os trabalhadores devem acompanhar a dinâmica da empresa e a sua evolução, contribuindo com o seu saber no aumento da produtividade e obtenção do lucro. No entanto, o interlocutor refere que na actual conjuntura, o importante para quem gere uma empresa é manter os postos de trabalho.

Lei geral de trabalho precário

Todavia, realça que se tem assistido as empresas a “fazerem das suas”, aproveitando-se das fragilidades que a Lei Geral do Trabalhado (LGT) proporciona aos empregados. Por esta razão, o especialista em recursos humanos diz que cada pessoa empregada deve consultar também a referida lei que, no seu entender, protege mais a entidade patronal, apontando como exemplo “os contratos precários ou a termo certo”.

Adão Pascoal realça que na relação laboral deve existir o princípio da boa-fé, entretanto, as empresas devem procurar cada vez mais surpreender os empregadores com o seu dinamismo e autossuperação, independentemente do ramo de trabalho.

Outra questão levantada pelo especialista tem a ver com a celeridade dos tribunais no que diz respeito a resolução de conflito entre o empregado e o empregador, pois, no seu ponto de vista, muitos não são resolvidos oportunamente.

Para Adão Silva, os mais lesados têm sido os trabalhadores por falta de uma resposta oportuna de quem deve deliberar.

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