loader

Especial Dia Do Trabalhador // Mais de 100 mil sindicalistas desempregados em Benguela

Mais de 100 mil sindicalistas associados à UNTA em Benguela perderam os seus empregos. Como tal, o agregado dos sindicatos a que pertenciam perdeu acima de 50% dos seus afilhados. Dos mais de duzentos mil trabalhadores sindicalizados que a província de Benguela continha até 2015, actualmente, o número encontra-se drasticamente reduzido para cerca de noventa e sete mil.

Texto de: Zuleide de Carvalho

O corte em massa em Benguela, sendo superior a 50% de sindicalistas, filiados em 13 sindicatos, associados à UNTA, ocorre há três anos, como consequência directa da crise financeira que tem mantido Angola “refém”. Nos tempos recentes faliram centenas de empresas nesta província, inconsequência, mais de 100 mil trabalhadores sindicalizados foram despedidos.

Joaquim Laurindo, secretáriogeral da UNTA em Benguela, preocupa-se com o futuro incerto da classe trabalhadora, porque “os trabalhadores sindicalizados são os últimos a serem despedidos”, todavia, não têm escapado.

Anos difíceis para a classe trabalhadora Questionado sobre o que não vai bem nos dias actuais, no quotidiano dos trabalhadores benguelenses, o titular da pasta sindical provincial respondeu: “quase tudo”, principalmente nas alçadas “económica e social”, derivando a segunda da primeira. José Joaquim Laurindo lembrou ontem que, no tempo do monopartidarismo “era mais fácil” gerir os sindicatos pois “tudo era Estado”.

Contemporaneamente, multiplicaram-se os problemas que assolam os trabalhadores, sendo o atraso salarial o mais gritante. O “trabalhador vive do salário e, o salário hoje perdeu o seu poder de compra, ou a sua função social”, lamentou o secretário provincial da UNTA. “Só a partir daí, a coisa não vai bem.”

Ciente da necessidade imperativa de haver produção e produtividade no sector privado e no público, o sindicalista acredita que só quando houver esse engajamento das pessoas é que será possível praticarem-se “salários condignos” localmente.

Porém, recordou a dificuldade de um operário manter-se produtivo trabalhando em condições precárias, sendo-lhe prometido um salário miserável e, piorando, ao final do mês, nem sequer o recebe, acumulando-se a dívida do patrão para consigo. É um novelo de causas e consequências que não pára de se enredar.

“É só ver, ao redor da cidade, tínhamos muitas casas com função empregadora, hoje, muitas delas encerraram por falta de capital”, realçou. “Perdemos cerca de 40% daquilo que foi a força de trabalho controlada por sindicatos. Hoje temos apenas 97 mil trabalhadores na província de Benguela, na função pública e privada. Tínhamos acima de duzentos mil trabalhadores.”

Construção civil é o sector com mais despedimentos

No período de dois anos e quatro meses, a construção civil na província de Benguela deixou de empregar 9500 operários sindicalizados, para reter agora 3500, resultado de as 54 empresas actuantes, terem reduzido para 14. “Imagine, todas fecharam, despediram trabalhadores.

O sector da construção foi o que mais sofreu com a crise. Até agora, não se vê nada para benefício dos trabalhadores”, lastimou Albano Calei, secretário do sindicato da construção.

Nas ocasiões dos despedimentos em massa, muitas empresas deviam salários aos colaboradores, bem como as compensações e indemnizações. Tendo havido recurso ao Tribunal, foram pagas as dívidas, havendo ainda meia dúzia de processos a decorrer.

Sobre o caso dos 32 meses de atraso salarial, na Empresa Nacional de Pontes em Benguela, Calei tomou conhecimento na semana passado que o quadro de pessoal será reduzido de 64 trabalhadores efectivos para 32.

Segundo o sindicalista, o salário mínimo nacional na área de construção civil é de apenas 18 mil kwanzas. Não obstante ser um valor irrisório, empresas há, localmente, que pagam 15 mil kwanzas mensalmente ao operários.

Últimas Notícias