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Jovens formados buscam alternativas para fugir do desemprego

São muitos os técnicos superiores, com idades compreendidas entre 20 aos 30 anos, que não encontraram trabalho na sua área de formação. O desemprego é ainda maior entre os jovens sem este grau académico. Entretanto, com menos vagas disponíveis por causa da crise económica e financeira que o país enfrenta, alguns jovens formados e não formados buscam alternativas para sustentaram a si e as suas famílias

Texto de: Maria Teixeira

Por ocasião do dia que hoje se assinala, OPAÍS foi ao encontro de três jovens que se encontram nestas condições, mas esperançosos de que a promessa de criação de 500 mil postos de empregos, constante no programa de governo para o quinquénio 2017-2022, seja efectiva para inversão desde quadro.

Formado em Biologia Molecular e Genética, Geovan da Costa, de 30 anos, classifica-se como um técnico superior desempregado sem muitas preocupações, pelo facto de ainda ter o apoio dos seus pais. Entretanto, lamenta o facto de existirem muitos ex-colegas seus e não só, na mesma facha ectária, que enfrentam inúmeras dificuldades, ao ponto de acusarem algumas frustrações por falta de emprego.

A condição de desempregado não lhe agrada, conforme deixou patente. Alias, antes de vir à Angola teve a oportunidade de trabalhar em Portugal, mas preferiu contribuir com o seu saber, raro no país em que nasceu.

“Já entreguei currículos às várias clínicas, hospitais e até mesmo ao Ministério da Saúde e apenas pediram-me para aguardar pela chamada, mas nunca chamam. Faço isso mais há mais de um ano e isso as vezes preocupa”, disse. Desde 2015, altura em que terminou o mestrado em Biologia Molecular e Genética, que o jovem procura por emprego.

O que mais lhe surpreende, disse, é o facto de no “país existirem laboratórios, mas não há pessoal e quando há pessoal não há laboratórios. Isso me preocupa muito”. Apontou, por outro lado, as dificuldades no acesso a informação ligada à sua área de especialização como outra barreira ser ultrapassada por existir muita coisa que não passa pela televisão e as pessoas não sabem que existem. “Por exemplo, há um gabinete de Crise no Ministério da Saúde e pouca gente sabe da sua existência, por falta de informação e acesso”, frisou.

Para aclarar o quão é importante a existência de quadros formados na sua área, explicou que os especialistas do seu ramo se dedicam a estudar os genes que, por sua vez, trata da hereditariedade, herança genética e variedade de características genéticas.

As suas pesquisas estão voltadas para o DNA, RNA, cromossomos, além de ser uma área ligada com a biologia molecular. Assim como há a Biologia Molecular, existe a Genética Molecular e o seu estudo está focado no nível molecular. Uma área de destaque dentro da Genética Molecular que, por meio de informações moleculares, podem definir padrões de descendência e avaliar a classificação correta dos seres vivos. Enquanto não lhe “chamam” para trabalhar nas instituições acima mencionadas, o jovem se dedica em actualizar os seus estudos e conhecimentos para não perder a dinâmica, nem o conhecimento.

“Sempre gostei de biologia. Estive vários anos no exterior e quando decidi regressar, pensei que o nosso país já não teria problemas do género, mas isso tem muito a ver com a falta de investimento nessa área”, lamentou.

Acrescentou de seguida que “Isso trás a fuga de quadros, porque há muita gente na minha condição: fez a formação no exterior do país e, de regresso, não consegue emprego aqui. É algo que entristece. Por isso muitos optam por permanecer e trabalhar fora, em vez de regressarem para ajudar no desenvolvimento de Angola”.

Apesar de contar com os apoios dos seus progenitores para se manter enquanto aguarda pela inserção no mercado de trabalho, reconhece que é frustrante para os técnicos que se encontram na mesma condição.

“Se comparado com os outros eu tenho alguns privilégios, porque há pessoas que precisam trabalhar para ajudar a família e nesse momento estão pior. Há muitas pessoas desempregadas e gostaria que o governo investisse nos jovens na área da ciência e saúde no sentido de nos ocupar”, súplica.

Chefe de família sem fonte de sustento Antônio Tavares, de 29 anos, é tecnico superior de mecânica desde 2016. Após concluir esta formação, trabalhou em offshore, durante dois anos, ao serviço de uma empresa petrolífera francesa que opera em Angola. Quando o país começou a ser acoçado pela crise económica e financeira, fez parte dos quadros de funcionários deste sector que foram desempregados, em consequência de uma estratégia da empresa de redução de custos.

Nos primeiros meses, o jovem mecânico conseguiu sustentar a família e a si, com as poupanças que fizera ao longo dos dois anos de serviço, acrescido com a indemnização que recebeu da empresa. Depois disso, António Tavares passou a viver o drama de chefe de família sem meios para sustentá-la.

Porém, resolveu dar resposta ao desemprego, comercializando diversos produtos pela internet, principalmente pela rede social Facebook, além de intermediar vendas de imóveis. “Não tem sido fácil viver destas fontes, mas é tudo o que consigo por agora”, conta. Como todo negócio, na sua área de acção também debata-se com altos e baixos.

“Há meses que não vende ou não recebe comissões. São esses meses que parecem um ano…” Por causa desta situação, a sua esposa e o seu irmão menor tiveram que abandonar a universidade, cortaram a quantidade de refeições diarias de três e/ou quatro para duas (matabicho e jantar).

“É tão difícil viver nestas condições que até frustra, mas a esperança nunca morre em minha vida. Portanto, continuarei lutando para que não falte o mínimo para minha família. Queria também pedir encarecidamente aos nossos governantes que velem pelos jovens angolanos, criando empregos ou facilitando o empreendedorismo”, pediu o jovem desempregado.

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