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Confrontos no Congo trouxeram 32 mil e 646 imigrantes a Angola

O Secretário de Estado para o Asseguramento Técnico do Ministério do Interior revelou, ontem, que os confrontos intercomunitários na região do KASAI, República Democrática do Congo, motivaram muitos cidadãos daquele país a migrarem para o território angolano

POR: Maria Teixeira

O responsável, Hermenegildo Félix, que falava durante a abertura da 1ª fase do Curso de Serviços de Saúde Sexual Reprodutiva em Situação de Emergência, reconheceu que como resultado desta imigração, foram notificados casos de violações dos direitos humanos, como mutilações físicas, violência sexual e detenções. O nosso país registou a travessia de 32 mil e 646 refugiados, através da fronteira da província da Lunda-Norte. Com vista dar uma resposta de emergência à situação dos refugiados, o Executivo angolano criou uma comissão interministerial, em coordenação com Agências das Nações Unidas.

“Neste contexto, tivemos que garantir os serviços integrados de saúde sexual reprodutiva, nos primeiros dias e semanas de uma situação de emergência, uma vez que é fundamental para garantir os direitos de acesso aos serviços de saúde, por parte das populações afectadas”, considerou. Aquele conjunto de acções destinaram- se a prevenir e gerir as consequências da violência sexual, o excesso de morte materna e neonatal, bem como reduzir a transmissão do VIH-SIDA. O serviço de protecção civil e bombeiros, na qualidade de agente que tutela a política de prevenção, calamidades naturais e socorros diversos, é chamado a este processo. Nesta conformidade, a formação do homem é uma aposta prioritária, para que os objectivos anteriormente referenciados sejam alcançados, por isso, o Curso de Serviços de Saúde Sexual Reprodutiva em Situação de Emergência surge em boa altura.

20% de mulheres e crianças vítimas de violência sexual

Hermenegildo Félix relatou que, no mundo, as mulheres e as crianças estão mais sujeitas a morrer numa catástrofe do que os homens, e quando sobrevivem são deslocadas, sendo que 20% acabam sendo vítimas de algum tipo de violência sexual, segundo estimativas da ONU, apresentadas na terceira conferência mundial das Nações Unidas para redução do risco de desastres. É de opinião que com o curso em destaque é possível alcançar, num curto horizonte temporal, uma componente formativa de especialidade básica e capacidades técnicas, por parte dos representantes das instituições participantes, para as intervenções de preparação, resposta e recuperação em saúde sexual reprodutiva em situação de emergência.

É importante, para o responsável, que se continue a observar os mais altos níveis de disciplina, visando elevar a capacidade de organização e prontidão, na iminência de ocorrência dos referidos fenómenos, desencadeando operações em harmonia com os programas e planos de emergência previamente elaborados pelo Executivo angolano. No seminário, que termina hoje, participam a Comissão Nacional de Protecção Civil, a Direcção Nacional de Saúde Pública do Ministério da Acção Social, Família e Promoção da Mulher e o Fundo das Nações Unidas para a população (FNUAP), entre outros organismos.

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