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Paralisia mental colectiva?

Por alguns instantes, às pessoas pode dar uma coisa qualquer que o raciocínio pára. A lógica deixa de fazer sentido. Há circunstâncias especiais que levam a isso.

POR: José Kaliengue

Suponho que terá sido uma circunstância especial a determinar os aplausos dos pais e encarregados de educação da Escola Portuguesa de Luanda a uma intervenção de uma mãe altamente desrespeitadora aos professores angolanos. Foi muito triste ver aquelas pessoas a aplaudir, mais triste ainda quando se sabe que grande parte dos pagantes daquela escola são angolanos (pelo menos quando estão cá). Dizia a senhora que se a escola é portuguesa é para ter professores portugueses, porque querem ensino português e não o angolano. E mais, que, “infelizmente, por causa da crise, aparece aqui muita gente, mas são professores angolanos, não portugueses…”. E os pais aplaudiram. A isto chamar-se- ia de “síndrome do absurdo colectivo momentâneo”. Há, por acaso, uma matemática portuguesa? Uma física portuguesa? Uma química e uma biologia portuguesas? Aplaudiram o quê? Identificaram-se na falta de inteligência? Já agora, há professores angolanos em Portugal, não consta que ensinem lá o “ensino angolano”. Isto poderia ser um assunto sem importância, não se soubesse do conforto que a nossa elite tem ao fingir que se sente estrangeira, e das queixas recorrentes, de todo o lado, sobre a forma desrespeitosa como boa parte dos portugueses que cá vivem tratam os angolanos e as suas instituições.

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