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Afonso Dhlakama Morreu a Exigir a Divisão Política de Moçambique

Morreu Afonso Dhlakama, um homem cuja trajectória se confunde com a maioria dos pais das independências dos países africanos que não acederam ao poder e tiveram que continuar a luta nas matas. Afonso Djlakama foi homem de luta, mas também com muitas contradições.

POR: Belarmino Van-Dúnem

Depois de passar um período pelo exército moçambicano depois da Independência, voltou para as matas e destacou-se por receber o apoio do regime do apartheid de forma aberta. Teve uma boa penetração no interior do país, a ponto de conseguir pôr em causa o poder do exército moçambicano, mesmo depois de desmobilizar o seu exército. Não existem dúvidas de que a personagem de Afonso Dhlakama fica marcada na história de Moçambique, para o bem e para o mal. Por um lado ele é, sem sombra de dúvida, um dos pais da democracia moçambicana. Mas, por outro, é o homem que esteve na base do reacender da luta armada depois dos acordos de Roma assinados no mês de Outubro de 1992. Desde aquela data até a da sua morte não concretizou o sonho de ser Presidente do seu país. Escondido nas matas de Gonrogosa, no centro de Moçambique, onde montou o seu estado maior desde dos tempos da guerrilha, exigia a divisão administrativa do país, portanto, cada partido deveria governar onde tivesse vencido as eleições. O Governo sempre tentou removê- lo do seu bunker, mas em vão. A resposta era quase sempre a mesma: ataques contra as populações ou colunas de caminhões com carga, assim como transportes públicos. O Presidente Filipe Nyunsi tentou resolver a controvérsia por via de negociações, para além de promover a revisão da Constituição, teve um encontro nas matas com o antigo guerrilheiro, gesto bastante elogiado pelo próprio Afonso Dhlakama. Aos 65 anos de idade, o velho guerrilheiro já não tinha a resistência de outros tempos. A guerra civil exige sacrifícios que deixam fragilidades físicas inevitáveis e, para piorar, Afonso Dhlakama sofria de diabetes. Sem um acompanhamento médico e medicamentoso regular, não resistiu e morreu ontem aos 65 anos de idade a bordo de um helicóptero que o transportava para o hospital. A morte de Afonso Dhlakama levanta algumas dúvidas sobre o futuro do seu partido, RENAMO, e do processo político em Moçambique. Será que haverá paz em Moçambique, acreditando que os seus camaradas de armas não conseguirão mobilizar apoios suficientes para fazer uma pressão armada, ou haverá um descontrolo das forças e aqui e ali continuarão os focos de instabilidade militar? O certo é que com o passamento físico de Afonso Dhlakama, a paisagem política de Moçambique vai mudar para sempre.

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