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Mais de mil enfermeiros suspeitos levados ao SIC

A Ordem dos Enfermeiros de Angola (ORDENFA) enviou, no ano passado, um total de 1342 processos de filiados, de todo o país, ao Serviço de Investigação Criminal (SIC), por constatar ilegalidades

POR: João Katombela no Namibe

De acordo com bastonário da Ordem dos Enfermeiros de Angola, Paulo Luvualo, a medida surge na sequência da origem duvidosa dos certificados de habilitações chegados ao secretariado da ORDENFA para efeitos de atribuição de carteira profissional. A Ordem tem feito o seu trabalho, no que concerne também ao credenciamento, fiscalização e controlo dos profissionais, mas nos últimos tempos têm registado alguns problemas, como o caso de alguns profissionais formados em escolas duvidosas.

“Encaminhamos ao SIC, no ano passado, 1342 processos, entre diplomas e certificados duvidosos para verificação da origem destes documentos”, sublinhou. No seu entender, a formação dos técnicos de saúde em escolas duvidosas tem sido uma das causas da má assistência que se verifica, um pouco por todo o país, nas unidades sanitárias. De forma a alterar esta realidade, o bastonário explica que a organização tem vindo a trabalhar em parceria com a Inspeção-geral da Saúde, neste sentido. “Para além da inspecção, estamos a trabalhar com o Serviço de Investigação Criminal, para se comprovar e responsabilizar estas pessoas, porque a enfermagem é para quem realmente tem formação de enfermagem”, explicou.

Mais de 2 mil enfermeiros têm carteira profissional

Em todo o território nacional, já foram formados desde 1975 cerca de 88.900 enfermeiros, entre empregados e desempregados, e dos empregados a Ordem controla 45 mil profissionais. Segundo o bastonário, deste número que controla, 20.012 possuem a carteira profissional, sendo que existem ainda por credenciar mais de 25 mil. Entre outras preocupações, Paulo Luvualu aponta os baixos salários dos enfermeiros, a banalização da profissão, bem como, o reduzido número de quadros, tendo em conta o rácio enfermeiro/paciente. Ainda sobre a banalização da profissão, detalhou que a mesma tem sido evidenciada com a proliferação de muitas escolas que ministram o curso de saúde, mesmo sem terem o mínimo de condições. Para que uma escola de saúde funcione, é necessário que tenha laboratórios equipados com material próprio para as aulas práticas. “Muitas não têm”, disse, acrescentando que acha que, sem isso, no país banaliza-se esta profissão, pois que em qualquer canto pode-se encontrar uma escola de formação de técnicos de saúde.

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