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Presidente João Lourenço na Namíbia para 40º aniversário do Massacre de Cassinga

O Presidente da República, João Lourenço, chegou no princípio da tarde desta Quinta-feira, à capital namibiana, Windhoek, para participar, hoje, Sexta-feira, nas cerimónias do 40.º aniversário do Massacre de Cassinga.

O Massacre de Cassinga resulta de um ataque do exército da África do Sul, contra um campo de refugiados na Huíla (Angola), realizado a 4 de Maio de 1978. A viagem do Chefe de Estado e do Executivo à Namíbia resulta de um convite do seu homólogo daquele país vizinho, Hage Geingob. À chegada, no Aeroporto Internacional Hosea Kutako, o Estadista angolano, que se faz acompanhar pela Primeira-dama da República, Ana Dias Lourenço, de quadros séniores do seu Gabinete, ministros, entre outros, recebeu cumprimentos de boas vindas da vice-primeira- ministra e ministra das Relações Internacionais e Cooperação da Namíbia, Netumbo Nandi Ndaitwah, do embaixador Manuel Alexandre Rodrigues, entre outras entidades.

O terceiro Presidente que o país conhece desde a Independência, proclamada a 11 de Novembro de 1975, efectua a sua primeira visita de Estado à Namíbia, para participar nas cerimónias como convidado de honra. O Chefe de Estado vai depositar uma corôa de flores no Memorial dos Heróis, em homenagem às centenas de namibianos e angolanos que perderam a vida no Massacre de Cassinga. A primeira visita oficial de João Lourenço, eleito Presidente angolano em Agosto de 2017, ao exterior do país aconteceu em Outubro, com o Chefe de Estado a passar a presidência da Conferência Internacional para a Região dos Grandes Lagos (CIRGL), em Brazzaville, ao homólogo Denis Sassaou Nguesso. Em Windhoek, o Presidente da República, para além de manter um encontro com o seu homólogo Hage Geingob, com quem vai passar em revista o estado das relações bilaterais e questões de interesse regional e internacional, vai também ser condecorado, na Sexta- feira, com a Medalha da Ordem mais Alta da Namíbia.

O Chefe de Estado angolano, que deverá discursar nas cerimónias do 40º aniversário do Massacre de Cassinga, que contará com a presença de entidades cubanas, vai descerrar a placa do busto do primeiro Presidente da República Popular de Angola, António Agostinho Neto, localizado no largo com o mesmo nome. O ataque de Cassinga, perpetrado pelo exército da África do Sul contra o campo de refugiados, teve início a 4 de Maio de 1978. A data tornou-se feriado nacional na Namíbia, em memória das perdas humanas durante o massacre. Para além do campo, a acção visou ainda a delegação da SWAPO em Chetequera, no interior de Angola. Ao massacre de Cassinga, o então regime de apartheid chamou de “Operação Reindeer”, que significa rena, mamífero frequente na América do Sul, também conhecido por caribú. Angola foi a principal plataforma na luta de libertação da Namíbia, que resultou na proclamação da sua Independência a 21 de Março de 1990.

A 18 de Setembro desse mesmo ano, na cidade angolana do Lubango, deu-se formalmente o início das relações entre Angola e o recém- nascido Estado da Namíbia. Os dois países rubricaram o Acordo Geral entre o Governo da então República Popular de Angola e o Governo da República da Namíbia sobre a Cooperação e a Criação da Comissão Mista Angolana- Namibiana. A última reunião da Comissão Mista Angola e Namíbia ocorreu em 2013, tendo sido abordadas questões de interesse bilateral e os projectos em curso, que vão contribuir para o reforço das suas relações. Em curso estão os trabalhos para a assinatura, em breve, do acordo transfronteiriço, bem como outros ligados ao sector da energia e para a construção de três pontes definitivas, para o impulso do comércio entre os dois países. Angola e a Namíbia partilham uma fronteira terrestre de 1.376 quilómetros e, desde 2007, a circulação de cidadãos dos dois países, nesta zona fronteiriça.

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