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Situações de conflitos podem aumentar casos de violações e abusos sexuais

As declarações são da representante do Fundo das Nações Unidas para a População (FNUAP), apoiando-se nos dados globais que mostram que, uma em cada três mulheres potencialmente terá um incidente de violência na sua vida, em situações de conflitos no país

POR: Maria Teixeira

A representante, Florbela Fernandes, que falava durante a abertura da 1ª fase do Curso de Serviços de Saúde Sexual Reprodutiva em situações de Emergência, disse que dentro da comunidade esses incidentes de violência tendem a crescer, por questões de conflitos como o que se regista no Congo. Para a população que vem do país vizinho, que está na Lunda- Norte, defende ser importante que se criem condições para que as pessoas possam recorrer, em primeiro lugar, e seguir com o processo legal e ter os cuidados necessários de saúde.

O Fundo das Nações Unidas para a População quer trabalhar no sentido de olhar tanto para a prevenção, quanto para a gestão de casos de violação, que possam acontecer em ambientes de conflitos, e assegurar que nenhuma mulher, menina ou jovem volte a vivenciar este momento. “Devem ser tratadas com dignidade e respeito. As mulheres em idade sexual e reprodutiva devem receber os quites com insumos que permitem tomar conta do período menstrual e, para além de comida, habitação, devem ter condições para partos seguros”, defende. Por sua vez, a enfermeira Marina Coelho, do FNUAP, reforça que as pessoas vivendo em tendas, sem fechaduras nas portas, ficam vulneráveis.

Localmente trabalham na orientação e prevenção, por isso, na Lunda-Norte, o assentamento de refugiados tem os serviços do FNUAP devidamente estabelecidos e dão todo o apoio quando se registam casos de violação. Em forma de procedimentos, explicou que quando chegam casos de violação a família da vítima tem de saber que o serviço existe, e que são profissionais de saúde treinados para trabalhar nesta situação. “Há casos, mas as vítimas ficam com vergonha de falar e muitas vezes entram em depressão, e tentam o suicídio, pelo que merecem ser bem tratadas”. O trabalho dentro desse pacote de intervenções visa reduzir o excesso de mortalidade materno- infantil, a violência sexual e/ou baseada no género, evitando ao máximo a transmissão do VIH.

Falta de alimento, assédio e abuso sexual

Segundo Marina Coelho, nestas situações de emergência, conflitos ou crise, estes males são frequentes, porque “você tem uma equipa que distribui alimentos, por exemplo, pode ser que a pessoa responsável pela distribuição procure corromper a jovem, no sentido de lhe dar mais alimento em troca de sexo, ou mesmo consumar o abuso sexual”. Defende “que tenhamos quadros angolanos que tenham capacidade de formar, intervir, e evitar situações futuras que perigam o bem-estar da sociedade”. O seminário terminou ontem e contou com a participação da Comissão Nacional de Protecção Civil, a Direcção Nacional de Saúde Pública do Ministério da Acção Social, Família e Promoção da Mulher e o Fundo das Nações Unidas para a população (FNUAP), entre outros.

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