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Cíntia Gonçalves: “Habituei-me a ler desde muito cedo”

Com o poemário “Simetrias de Mulher”, Cíntia Gonçalves sagrou-se vencedora na categoria de Melhor Obra Literária Juvenil da I edição da Feira Juvenil de Educação, Tecnologia, Empreendedorismo e Cultura (FEJETEC), promovida pela JMPLA

POR: Jorge Fernandes

Com 55 poemas, a obra mereceu a distinção do júri por retratar de forma cadenciada a problemática da mulher no país e no mundo, de uma maneira geral, em que são ressaltados aspectos sobretudo ligados, ao empoderamento feminino. É com essa jovem estudante do 4º ano do curso de Comunicação Social, do Instituto Superior Técnico de Angola (ISTA), com quem OPAÍS conversou, sobre a sua obra, a vivência, bem como as suas aspirações para o futuro. Nascida em Luanda no bairro Anangola, muito cedo mudou-se para o Cassequel, onde residiu até aos 18 anos de idade. Por isso mesmo, em homenagem ao bairro que a viu crescer, adoptou o pseudónimo literário Maria de Cassequel.

Questionada sobre a razão deste nome artístico, a nossa interlocutora fez saber que o tributo que presta à essa mítica região da periferia da capital tem a ver com os resultados positivos que granjeou ao nível estudantil, sem que tivesse de recorrer a uma vida fácil ou à más influências. Ela conta que, por tratar-se de um bairro em que estão muito assentes por parte de adolescentes e jovens a delinquência, alcoolismo, a prostituição, gravidezes precoces, a banalização do conhecimento, a excentricidade… e de lá ter saído e resistido a todos estes males, é na verdade uma triunfo e daí a singela homenagem. “Quando se tem foco e orientação é possível. Se não tivesse tido uma mãe com punho de ferro, de certeza que não estaria aqui a falar consigo. Por isso, os jovens, lá e noutros cantos do país, precisam de alternativas, de espaços de promoção e cultivo de conhecimento, de modo a não caírem nesses vícios fúteis”, declarou.

Gosto pela leitura

Desde muito cedo, incentivada pela mãe, habituou-se a ler e, consequentemente, ganhou o gosto pelos livros, pela palavra e pela leitura, razão de o ‘bichinho’ pelas letras a ter catapultado para escrita, daí ter já participado em várias antologias e a integrado o movimento literário Literagris. Nessa associação literária, Cíntia Gonçalves tem desenvolvido competências no segmento da escrita, tendo iniciado a dar passos para um dia poder vir a ser uma escritora de referência, embora reconheça que muito caminho ainda tem por percorrer. Todavia, a superação e a aprendizagem contínua são duas balizas orientadoras para vir alcançar os seus objectivos. Entretanto, o prémio agora conquistado é mais uma mola impulsionadora para continuar nesses meandros, onde, pela segunda vez, recebe a honrosa distinção, depois de ter já conquistado o segundo lugar do concurso de poesia “Um bouquet de Rosa para Ti”, sob a égide do Memorial António Agostinho Neto.

Perfil

Cíntia Eliane Gonçalves nasceu a 04 de Outubro, sendo filha de Madalena Domingos Gonçalves e Domingos Mateus André. Com 22 anos de idade é a mais velha de três irmãs. A par da leitura adora fotografia. Bebe de várias referências literárias, em que destaca João Maimona, João Tala, Ana Paula Tavares, Lopito Feijó, José Luís Mendonça, João Melo, Agualusa, Herberto Hélder e Clarice Lispector. Profissionalmente está ligada ao programa de cultura e artes “Makinumatiku”, onde a poesia, o teatro e o cinema estão em movimento; no projecto Lucengomono Companhia D’Artes, emitido na 89.1 FM, Rádio Tocoísta, entre as 18 e as 20 horas, aos Sábados.

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