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Duas mil mulheres submetidas à cirurgia obstétrica na maternidade Lucrécia Paim

Os dados, avançados pela directora geral da maior maternidade de Luanda, dão conta que duas mil e 395 grandes cirurgias obstétricas e ginecológicas foram realizadas, nesta unidade, no Iº trimestre de 2018. Por dia são feitas 40 cirurgias, para um número insuficiente de especialistas

POR: Maria Teixeira
fotos de Jacinto Figueiredo

A maternidade Lucrécia Paim recebeu no seu banco de urgências 16.144 pacientes no Iº trimestre do corrente ano, e, deste número, duas mil e 395 estiveram em situações que requereram grandes cirurgias obstétricas e ginecológicas, razão que leva a directora, Maria Mendes, a considerar que têm estado diante de muito trabalho para os recursos humanos existentes na sua instituição. “A maternidade realiza cerca de 40 cirurgias por dia e, por essa razão, precisamos de dobrar o número de recursos humanos. Temos 60 médicos que exercem todas as tarefas e cerca de 300 enfermeiras, sendo que quase metade tem mais de 50 anos e não conseguem responder às exigências do trabalho da maternidade”, afirmou.

De acordo com a responsável, a situação actual da saúde materna em Angola ainda carece de muitas melhorias, sendo que uma das maiores preocupações é o aumento da taxa de mortalidade com causas indirectas. “Só neste primeiro trimestre estiveram internadas 97 mulheres por malária, 97 por SIDA e 27 mulheres por hepatite viral ou síndromes, por vezes, não diagnosticados”, conta, considerando que tudo tem sido feito para se proteger tanto a mãe, quanto a criança. Diariamente são feitos 100 partos e no Iº trimestre tiveram um total de seis mil 584 partos. Maria Mendes compara a Maternidade Lucrécia Paim com um “comboio em alta velocidade que não pára”, aponta a superlotação e a escassez de recursos humanos, bem como a falta de material gastável como outras dificuldades a enfrentar.

A maternidade tem a capacidade de 400 camas e neste momento apresenta um número muito elevado de pacientes. Por esta razão, usam os corredores do hospital como enfermaria para acomodar as gestantes. Muitas gestantes partilham a mesma cama e, para se evitar outras complicações, são dadas altas precoces a algumas pacientes, o que dificulta o ensino e a aprendizagem, porque não têm tempo suficiente para conversar com as mães, principalmente as de primeira viagem, sobre as complicações pós parto, por exemplo. A directora da maternidade disse ainda que tem de haver uma coordenação entre todos os prestadores de cuidados de saúde, para que se descongestione a maternidade Lucrécia Paim, visando cumprir-se o seu papel de hospital terciário (aquele que recebe casos que não encontram solução nas outras unidades hospitalares).

200 mil dólares/mês serão dados pelas empresas mineiras

Maria Mendes falava à margem da assinatura do memorando de entendimento, ontem, entre o Ministério da Saúde, representado pela referida maternidade, e o Ministério dos Recursos Minerais e Petróleos, representado pela ENDIAMA e SODIAM. O memorando servirá para apoiar e desenvolver acções relacionadas com os cuidados intensivos do serviço de neonatologia, obras de melhoria do Banco de Urgências, fornecimento de reagentes para o bloco operatório, bem como formação do pessoal. De acordo com o presidente do Conselho de Administração da ENDIAMA, José Manuel Ganga Júnior, trabalhar com a maternidade no sentido de minimizar os problemas é o objectivo.

E numa primeira fase “estabelecemos um apoio mensal a ser partilhado pela ENDIAMA e a SODIAM, num montante global de 200 mil dólares. Vamos continuar a trabalhar permanentemente e acompanhar a resolução dos problemas”, disse. O PCA da SODIAM, Eugénio da Rosa, reforçou a mesma ideia, acrescentando que o objectivo é minimizar os problemas que a maternidade tem e que afectam a saúde da mulher e da criança, para que haja melhoria no seu desempenho e diminuição da mortalidade neonatal. “Este protocolo prevê a duração de um ano”, sustentou.

 

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