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Fátima Viegas defende expansão da formação para reduzir a pobreza

A secretária de Estado para os Assuntos Sociais é de opinião de que a extensão dos programas públicos de formação profissional às pessoas mais carenciadas poderá reduzir o impacto da pobreza nas comunidades

POR: Domingos Bento

A necessidade de se criar independência económica dos jovens e adultos que, devido a vários factores, não tiveram a oportunidade de terminar os seus estudos, é o que leva Fátima Viegas a defender, na Quinta- feira, no Icolo e Bengo, uma maior expansão da rede pública de formação técnico-profissional nas comunidades desfavorecidas do país. A também socióloga, que falava à margem de uma visita de constatação ao Centro Público de Formação Integrado, denominado “Cidadela Jovens do Sucesso”, disse que o Estado angolano tem vindo a apostar na capacitação dos jovens, oferecendo qualificações profissionais para proporcionar a competência e a independência económica, sobretudo nesta fase de crise, em que as oportunidades de emprego são cada vez mais diminutas.

É necessário que as oportunidades de formação se estendam, sobretudo, nas zonas mais rurais do país que, em muitos casos, têm estado a ser esquecidas, de acordo com a responsável. Os projectos de formação profissional a serem estendidos nestas comunidades, uma vez que grande parte dos jovens e adolescentes carece de alguma oportunidade para evoluir, diminuirão os níveis de pobreza. A secretária entende ainda que a aposta na formação de jovens a adolescentes pode ser uma via segura e viável para a redução de comportamentos desviantes, que atentam contra a boa convivência social.

Tal como explicou, por falta de oportunidades de formação, muitos jovens acabam por adoptar por condutas reprováveis e que não dignificam as famílias. “A ocuparmos estes jovens em actividades formativas, estamos a prepará-los para o futuro. Por isso, é importante que haja, cada vez mais, iniciativas que possam estimular a competência e doptar os nossos jovens de ferramentas que lhes possam servir de grande utilidade e, assim, deixarem de depender da família e até mesmo do Estado”, frisou. É das que defende que a formação dos jovens não deve ser apenas um compromisso do Estado, pelo que a sociedade e as entidades privadas, dentro das suas acções de responsabilidade social, devem incluir a componente formativa como uma forma de elevar e dignificar as famílias. “Todos nós, desde governantes, empresas e famílias, temos que contribuir na formação dos nossos jovens. Ao fazer isso, estaríamos todos a ganhar”, reforça.

Integração sem discriminação

Durante a visita que efetuou ao “Centro Cidadela Jovens do Sucesso”, localizado no município de Icolo e Bengo, Fátima Viegas conversou com os formandos, adolescentes e jovens provenientes de comunidades vulneráveis, que estão na instituição em sistema de internato. No centro, além da componente técnico- profissional, os formandos beneficiam de aulas académicas do sistema normal de educação. Já no campo da formação técnico- profissional, a instituição leciona cursos na área da serralharia, carpintaria, electricidade, secretariado, informática aplicada, agricultura e pecuária. Desde que foi aberta, em 2010, a instituição já formou mais de duzentos jovens. Partes destes retirados das ruas e integrados no centro onde aprenderam uma série de artes e ofícios que permitiram a abertura para o mercado de trabalho e a integração na sociedade.

Domingas Miguel, de 14 anos, é uma das adolescentes a viver na instituição. Devido à falta de condições dos pais, a rapariga foi enquadrada naquele espaço, onde estuda a 8ª classe e a faz a formação em agropecuária. Sair do centro uma mulher formada e economicamente independente é a aspiração de Domingas, que assegurou estar a aproveitar da melhor forma a oportunidade que lhe foi dada. “No centro somos educados a ter responsabilidade desde muito cedo. Neste um ano que me encontro no centro já consigo ter noção das coisas e fazer planos para o futuro”. As instalações dispõem de dormitórios masculinos e femininos, refeitório, biblioteca, posto médico, campo polidesportivo, área administrativa, pedagógica, salas de aula, laboratórios e oficinas para os cursos práticos.

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