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“A saúde na Huíla está verdadeiramente doente”, diz Raúl Danda

O vice-presidente da UNITA trabalhou, na qualidade de deputado, por cinco dias na província, e não poupou nas críticas aos sectores da Saúde e da Educação

Texto de: João Katombela, na Huíla 

O vice-presidente da UNITA considerou ontem, Sábado, na cidade do Lubango, província da Huíla, que “a saúde nesta província está verdadeiramente doente. Rúl Danda fez este pronunciamento numa conferência de imprensa decorrida numa das unidades hoteleiras da capital huilana.

Afirmou que tirou tal conclusão durante os cinco dias de visita de um grupo de deputados da bancada parlamentar da UNITA a alguns empreendimentos sociais, como escolas e hospitais, dos municípios do Lubango, Matala, Jamba, Cacula, Chibia e Humpata. Nestes municípios, os membros do “Galo Negro” foram informados sobre o funcionamento das unidades sanitárias e escolares visitadas, tendo constatado várias dificuldades que espelham o mau estado dos sistemas de saúde e de ensino.

“Nas Instituições visitadas, alguns responsáveis contaram-nos toda a verdade, nua e crua, outros ficaram pelas meias verdades, não faltando casos em que se preferiu varrer o lixo para debaixo do tapete.

A Saúde na Huíla está verdadeiramente doente, com hospitais onde faltam medicamentos, onde os médicos, enfermeiros e pessoal auxiliar são dramaticamente insuficientes, onde há uma falta gritante de equipamentos, onde a mesma cama continua a ser partilhada por doentes com enfermidades díspares, onde falta luz, falta água, mas abundam os mosquitos”, disse.

Durante a sua estadia no município da Matala, o também deputado e delegado da comissão de deputados que se deslocou à província da Huíla, considerou de desastrosas as condições em que vivem e trabalham muitos médicos e enfermeiros. Já na cidade do Lubango, Raúl Danda lamentou as péssimas condições em que se encontra a funcionar aquela que é considerada a maior unidade sanitária da região Sul do país, tendo-a comparado a um sepulcro adornado citado por Jesus Cristo.

“O caso mais dramático, foi sem dúvidas, o do Hospital Central Dr. Agostinho Neto, aqui mesmo na cidade do Lubango, que nos lembra a parábola dos sepulcros caiados citados por Jesus Cristo: por fora e à distância, um edifício imponente, um dos maiores hospitais do país e não só, mas com falta de tudo, absolutamente tudo.

A direcção do hospital abriu-nos as portas e os corações também, para, entre fortes emoções, nos apresentar um edifício de oito andares onde nenhum elevador funciona desde a sua reinauguração, com doentes, cadáveres, comida e tudo o mais transportado à cabeça ou às costas de cima a baixo e vice-versa”, lamentou.

No que toca à Educação, o vicepresidente da UNITA disse que este é o sector mais importante para o desenvolvimento de qualquer país, pelo que requer uma atenção especial da parte dos governantes.

No seu entender, na província da Huíla o sector da Educação tem sido relegado para segundo plano, facto que, segundo explicou aos jornalistas da cidade do Lubango, compromete o crescimento sócioeconómico do país.

“Ao lado da Saúde, a Educação na província da Huíla também é deficiente, continua a haver muitas crianças fora do sistema de ensino, escolas sem carteiras, sem quadros, obrigando as crianças ao primitivismo de utilizar casca de árvores secada para fazer quadro, escolas de especialização sem laboratórios funcionais por falta de equipamento, como se constatou no Instituto Superior Politécnico da Huíla (Lubango) e no Liceu nº 1068 na Matala”, rematou.

Nos dias de trabalho da comissão de deputados, Raúl Danda realizou uma palestra, para esclarecer o princípio do gradualismo territorial, no âmbito das eleições autárquicas aprazadas para 2020.

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