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Três milhões de tartarugas marinhas foram devolvidas ao mar

Especialistas apontam a necessidade de um maior esforço para a conservação e educação ambiental, ao longo da costa, e a criação de um plano de conservação das tartarugas marinhas

Texto de: Domingos Bento

Até ao momento, cerca de três milhões de tartarugas dispersas foram repostas ao mar, no âmbito do projecto Kitabanga, que, desde 2003 trabalha na protecção e na preservação das tartarugas marinhas ao longo da costa marítima angolana, segundo uma nota que chegou à nossa redacção.

Dados apontam que estes animais marinhos encontram-se em risco de extinção devido aos excessivos números de redes de pesca junto às praias, durante o período de reprodução, associadas à captura de animais e à destruição de ninhos ao longo da costa. . Só durante a temporada 2015/2016 o projecto Kitabanga registou a morte de 450 tartarugas marinhas adultas ao longo das praias das Palmeirinhas e do Longa, o que expressa uma quantidade bastante significativa, tendo em conta que as tartarugas levam, em média, cerca de trinta anos para atingirem a idade adulta.

De acordo com Michel Morais, coordenador do projecto Kitabanga, o número de mortes de tartarugas demonstra bem a necessidade de se intensificar as acções de sensibilização para a protecção da espécie. No entanto, de forma a proteger os bichos, o responsável explicou que, em Março, decorreu um processo de abertura de ninhos de tartarugas ao longo da praia das Palmeirinhas, tendo-se a acção posteriormente estendido ao processo de contagem dos ovos que não eclodiram, contagem das cascas dos ovos e na elaboração de uma estimativa do número de neonatos que regressaram ao mar.

“Infelizmente, nós, em Angola, não temos nenhum centro de recuperação de animais marinhos. Note-se que os incidentes mais graves até então observados estão associados ou a animais feridos por artes de pesca ou por colisão com embarcações. Dependendo dos incidentes, o pessoal ligado ao Projecto Kitabanga, dentro das suas possibilidades, poderá ser chamado para prestar os primeiros cuidados”, frisou.

Michel Morais frisou igualmente que a sua equipa tem estado empenhada em serviços de sensibilização às comunidades, sobretudo aos pescadores e às crianças, que são a base de disseminação destas informações, para que adoptem uma postura diferente face a estes animais marinhos. “Embora haja um esforço considerável para a divulgação e conservação da espécies, essencialmente das Tartaruga de Couro, conhecida por Kitabanga (que dá o nome ao Projecto), é intenção da organização aumentar a intervenção e incentivar as instituições competentes que para promovam a conservação numa maior amplitude”.

Tartaruga Oliva é a mais abundante

Segundo ainda Michel Morais, a costa de Angola detém 1650 km e o Projecto Kitabanga está envolvido em apenas 56 km, havendo assim a necessidade de um maior esforço para a conservação e educação ambiental ao longo da costa, pelo que reforça a ideia da criação de um plano de conservação das tartarugas por parte do Ministério do Ambiente.

No entanto, das espécies existentes, a tartaruga Oliva é a mais abundante em Angola, pondo em média 120 ovos nos ninhos. Este número é bastante considerável, mas que na prática não chega a ser tão expressivo devido às inúmeras dificuldades que elas enfrentam, desde os predadores naturais, como os caranguejos até às redes de pesca manuseadas pelo homem, considerado o principal predador.

Importa frisar que o Kitabanga é uma projecto afecto ao Departamento de Biologia da Faculdade de Ciências da Universidade Agostinho Neto que tem vindo a ser implementado desde 2003, com a anuência do Ministério do Ambiente. Actualmente conta com uma área de actuação directa de 55,5 Km distribuída pela região do Soyo, Kissembo, Palmeirinhas, Sangano, Longa, Cuio e Manono (Bentiaba) perfazendo uma cobertura de 3,4% costa de angolan

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