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Benguela recupera Indústria Pesada

Benguela é uma região com um potencial industrial invejável. Segundo o director do Gabinete Provincial da Indústria, a província conta com 3 parques industriais concluídos: Kanjala, Catumbela e Cubal. Máquina Mussalo salienta que, além desses, existem projecções de ampliação no Bocoio, Benguela, Baia-Farta e o Biópio (Catumbela)

POR: Constantino Eduardo, em Benguela

Apesar de os parques até aqui criados, que elevam o nome de Benguela a lugares cimeiros em Angola no que à indústria diz respeito, as autoridades convidam os empresários a investir cada vez mais na província no sector industrial, porquanto a região, garantem, dispõe de condições infra-estruturais criadas, como vias de comunicação, favorecidas com a circulação dos comboios dos Caminhos-de-Ferro de Benguela, que jogam um papel crucial neste sentido. No âmbito das suas atribuições, o Governo investe forte para proporcionar os 500 megawatts de energia de que o sector industrial carece, no sentido de que todos os que decidirem injectar o seu capital nesta circunscrição territorial tenham o retorno do seu investimento.

“Há uma aposta forte na energia e água, para aumentar a rede de fornecimento às unidades industriais”, segundo disse Maquina Mussalo, director do Gabinete Provincial da Indústria, a OPAÍS. Para ele, os maiores investimentos recaem para a indústria alimentar e “Benguela tem um incentivo Central ao desenvolvimento industrial”. Em termos estatísticos, Benguela conta com 196 unidades no ramo das indústrias ligeiras alimentares, 166 ligeiras não alimentares e 22 pesadas, perfazendo um total de 384. Trimestralmente, segundo revela o responsável do sector, surgem cinco unidades. “Apesar das dificuldades, Benguela é um dos maiores parques industriais de Angola”, sublinhou. Não obstante essa vitalidade industrial, Benguela tem um número considerável de unidades industriais paralisadas, umas pela falta de divisas, outras devido ao processo político-militar em que o país esteve mergulhado durante longos anos.

Entre as paralisações recentes, a da LUPRAL, empresa vocacionada para a produção de materiais agrícolas e de construção, é a que mais preocupa o sector sob jurisdição de Mussalo, embora se esteja a definir a estratégia para a sua recuperação. Embora não precisasse quantas, o responsável da Indústria lamenta o número reduzido de empresas pesqueiras e transformadoras de pescado, garantindo, contudo, que há interesses de empresários, sobretudo estrangeiros, em apostar nesta área. “Em relação ao meu sector, há a necessidade de se investir mais no ramo de actividade da indústria pesada. Sobre as indústrias que se encontram paradas, uma das dificuldades dos investidores é a parte financeira (fundamentalmente acesso às divisas para importar as matérias-primas) ”. O Governo central e o local definem políticas para recuperar as indústrias paralisadas. “Temos o total de nove paralisadas”. Segundo Máquina Mussalo, há previsões de instalação em Benguela de uma indústria para a produção de vidro e, nesta altura, ultimam-se as negociações para a concretização do projecto. “Estamos a trabalhar no sentido de atrair os investidores para aqui, já temos o parque, que é o Biópio, que está em fase da sua estruturação”.

A comuna da Cahota, município de Benguela, deverá ganhar, nos próximos tempos, mais um empreendimento de transformação de pescado. Trata-se do projecto Guanda Pesca, que há seis meses funciona em fase experimental. Numa primeira fase, os níveis de produção cifram-se na ordem das 130 toneladas de peixe por mês. Segundo o responsável da área de vendas, XUE, a produção é sustentada por seis embarcações de arrasto e prevêem-se outros investimentos, visando o aumento dos níveis de produção. Quando estiver a funcionar em pleno, iniciará o processo de transformação do pescado. No princípio do ano, a província de Benguela, por via da Pesca Fresca, exportou 500 mil litros de óleo de peixe e 500 mil toneladas de farinha de peixe para a China, Chile, Namíbia e Zâmbia, no âmbito da cooperação comercial com estes países. Os dados foram elucidados ao governador Rui Falcão numa das visitas que efectuou ao município piscatório da Baia-farta, localidade com maior número de indústrias pesqueiras.

O chefe de produção da empresa exportadora, Francisco Gabriel, apelara, na altura, à sensibilidade do Governo no sentido de resolver, o mais rapidamente possível, o problema da energia eléctrica, por ser, salientou, “um dos maiores problemas que os empresários enfrentam, porque têm de se socorrer de geradores e, como deve calcular, fica bastante oneroso, por causa dos combustíveis”. O director do Gabinete Provincial das Pescas, José Gomes da Silva, refere que há cada vez interesse de empresários, tanto nacionais quanto estrangeiros, em investir no seu sector, fundamentalmente na transformação do pescado, e que o Estado, no quadro das suas atribuições, está a trabalhar para potenciar o sector industrial pesqueiro.

Benguela, importante pólo industrial de Angola, caminha firme rumo ao desenvolvimento industrial, dadas às suas potencialidades. Segundo empresários, Benguela dispõe de potencialidades ímpares ao nível do país, pelo que se apela à sensibilidade de quem governa no sentido de permitir o acesso às divisas, para a importação de matéria-prima, permitindo que a indústria funcione sem os problemas de importação de matéria-prima. “Nós, às vezes, nos batemos com problemas de peças de reposição das máquinas quando estão avariadas. Não havendo, somos forçados a paralisar a actividade, comprometendo a produção”, reclama o produtor de bebidas Victor Alves.

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