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Carta do leitor: Doença não escolhe

Estimada equipa do nosso OPAÍ S, Moro em Talatona naquela parte que chamamos de Talatona dos pobres, onde o carro mata mosquito não passa.

POR: André Kijungo

À tarde vemos só fumo a levantar de alguns condomínios, mas nós ficamos com os nossos mosquitos. Só que a minha irmã, que trabalha numa casa num condomínio me disse que a patroa dela viajou para Portugal, ficou doente de paludismo. Mas como assim, se nos condomínios todos os dias fazem lá fumo para matar os mosquitos? Agora sei que doença não escolhe nem pobre, nem rico. Quando morremos não interessa o tipo de caixão, acabamos todos por ficar esqueleto. Se no fundo da terra, onde se fica para sempre, ninguém diz se está mais confortável do que os outros, por que é que aqui em cima da terra não queremos ficar todos confortáveis, onde até passamos pouco tempo? Além disso, também descobri que pôr fumo só nos condomínios não adianta nada. O vento vem e leva o fumo, os mosquitos voltam. E voltam mais bravos, tipo os miúdos que cheiram gasolina. Estive a falar com um senhor mais velho que me disse que este fumo assim não dá nada, é melhor passar fumo na cidade toda, tapar as águas ou mesmo a administração passar com óleo queimado em cada água parada, ou, de madrugada, um avião passar e fazer chover na cidade um medicamento para matar os mosquitos. Se nos filmes vemos a fazer isso nas plantas, por que não se faz aqui também. Acho que o paludismo que a patroa da minha irmã apanhou é igual ao paludismo que nós temos apanhado no bairro. Parece que uns, quando querem se salvar sozinhos, não entenderam ainda que a salvação tem de ser junto com todos. Então, por favor, façam também fumo na parte pobre de Talatona.

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