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Lubango precisa de mais de 100 biliões de Kz para melhorar a sua imagem

Numa altura em que a cidade do Lubango comemora 95 anos de existência, a ex-colónia de Sá da Bandeira tem a sua imagem consubstancia- se em amontoados de lixo, buraco nas estradas, distribuição deficiente de água e de energia elétrica. O administrador fala em mais de Kz 100 biliões para mudar o quadro

Texto de: João Katombela, na Huíla

O administrador municipal do Lubango, Francisco Barros, disse, durante uma entrevista exclusiva concedida no Sábado, 5, ao Jornal OPAÍS, que a cidade que dirige necessita de um total de 163.320.000.000,00 (cento e sessenta e três biliões e trezentos e vinte milhões de Kwanzas) para melhorar a sua imagem.

A degradação da cidade deu-se em consequência do aumento da densidade populacional, já que ela foi concebida para um número inferior ao das pessoas que neste momento nela habitam.

Entretanto, a medida para se alterar esta realidade passa pela implementação do Programa Municipal Integrado de Desenvolvimento Rural e Combate à Pobreza. Este e outros programas da Administração Municipal do Lubango são financiados pelo Orçamento Geral do Estado (OGE) que a província recebe e que anualmente, de acordo com Francisco Barros, está avaliado em cerca de 500 milhões de Kwanzas.

“Dos 164 municípios que o país tem, independentemente do nível de desenvolvimento de cada um e da densidade populacional, o valor é uniforme, e ronda os Kz 544 milhões. Este valor, do ponto de vista das necessidades do nosso município, quase não corresponde às espectativas, e, para melhor resposta aos problemas, precisaríamos do triplo do valor”, explicou.

O Programa Municipal Integrado de Desenvolvimento Rural e Combate à Pobreza, criado em 2017, foi concebido para o desenvolvimento de vários projectos de impacto social, com realce para furos de água, escolas e hospitais, que no entender de alguns munícipes, pouco ou nada foi executa-do.

Sem dizer o número de pessoas que consomem água potável e energia elétrica na cidade do Lubango, o administrador municipal admitiu haver um défice na distribuição destes serviços, como também a existência de algumas escolas primárias cujas aulas são feitas por baixo de árvores.

Segundo revelou, estes serviços só não cobrem totalmente todos os bairros da cidade do Lubango em função da insuficiência de recursos financeiros alocados para o município. “Há muitas dificuldades ainda, para além da energia e água, as estradas estão velhas, a rede de telefonia móvel não atinge todos os habitantes. Precisamos de reencontrar o real Lubango”, sublinhou.

Governo já financiou mais 200 milhões USD para o Lubango

Em Junho do ano passado, o Governo Central disponibilizou, para a requalificação da cidade do Lubango, 212.682.926,83 dólares americanos. Segundo a Ministra do Urbanismo e Habitação, que procedeu ao lançamento da primeira pedra, em Junho do ano passado, 36 meses eram suficientes para a construção de tais infra- estruturas.

De lá para cá, já se passaram 11 meses, apenas estão a ser reabilitados alguns troços, como é o caso da estrada que liga a Rotunda do João de Almeida ao Aeroporto, Cine Arco-íris, Escola 27 de Março, a estrada da Mapunda e da Minhota. Francisco Leonardo, não precisou o grau de execução física das obras, porém, garante que está a ser feito um trabalho profundo, que consiste na substituição de todo o tapete asfáltico.

“Nós temos um conjunto de acções viradas para um Lubango cada vez melhor, estas acções estão desenhadas quer no perfil do município, quer no Programa Municipal de Desenvolvimento. A recuperação das infra-estruturas da cidade do Lubango é uma das conquistas que ao longo dos últimos três anos fomos apresentando como fulcral, na medida em que os próprios munícipes foram reclamando”, disse.

O Lubango é uma cidade antiga, enquadrada no contexto histórico do nosso país, desde o período da presença colonial, o período da Independência, até a democratização do país. Continua a ser aquela cidade com características próprias, segundo o administrador, não obstante esse panorama histórico, social e económico.

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