loader

Nova operadora aérea de aviação pode operar em breve

O novo operador assinou no Sábado, em Luanda, um acordo com a Bombardier, empresa canadiana que vai fornecer as aeronaves, formar técnicos e garantir assistência técnica. Com a criação da AIR CONECTION EXPRESS – TRANSPORTE AÉREO S.A., o ministro dos Transportes, Augusto Tomás, fala de um virar de página

POR: Patrícia de Oliveira

A implementação do Novo Modelo para a Operação de Transporte Aéreo Doméstico foi aprovada por Despacho de 25 de Novembro de 2014, do Presidente da República. “A criação do novo operador doméstico não põe em causa a actividade dos actuais operadores de transportes aéreos privados que, embora possam participar na constituição daquela sociedade, manterão a sua actividade”, acautela o Ministério dos Transportes. Augusto Tomás disse ainda que foi feito o benchmark para a obtenção de modelos de referência. Foram analisados modelos de operadores “feeders” existentes: na África do Sul, Estados Unidos, Brasil, Portugal e Austrália: O novo operador aéreo está avaliado em mais de USD 143 milhões na perspectiva de compra das aeronaves modelo DH8- Q400; Esta opção pressupõe a aquisição de um financiamento em que a perspectiva é que as aeronaves sejam adquiridas na sua totalidade, e façam parte dos activos da AIR CONECTION EXPRESS – TRANSPORTE AÉREO S.A.

Método que apresenta uma grande flexibilidade financeira, e que pressupõe um valor residual da aeronave no final do contrato de locação, podendo consoante opção passar a ser propriedade da “AIR CONECTION EXPRESS – TRANSPORTES AÉ- REOS S.A” mediante pagamento de valor final. O financiamento, segundo consta, está a ser montado por um sindicato bancário composto e liderado pelos Bancos BNI, a nível local, Banco de Desenvolvimento Afrexim, sediado no Egipto e pelo EDC – Export Development Canada, sendo que nas devidas proporções o BNI e o Afrexim financiarão o PDP e a dívida “junior”, e o EDC financiará a dívida “sénior”.

Está garantido 90% do capital para a aquisição das aeronaves, havendo a necessidade de aporte de capital por parte dos accionistas do valor de 10% do capital e há a necessidade de apresentação de uma garantia soberana para asseguramento do financiamento. A assinatura do contrato de aquisição de 6 (seis) aeronaves do tipo Q400, teve lugar Sábado, na sede da Enana, em Luanda. O contrato foi assinado pelo novo operador de transporte aéreo angolano, empresa denominada AIR EXPRESS – TRANSPORTE AÉREO S.A, e a fabricante canadiana BOMBARDIER.

Compromisso

Nos termos do contrato, a Bombardier compromete-se em formar 25 assistentes de bordo para a “AIR CONECTION EXPRESS – TRANSPORTE AÉREO S.A”. A empresa canadiana formará também dois instrutores para garantir a continuidade do treinamento de assistentes de bordo para a “AIR CONECTION EXPRESS – TRANSPORTE AÉREO S.A”, quando normalmente só seriam formados 12 assistentes de bordo na compra de 6 aeronaves. Quanto ao recrutamento da equipa de gestão e do pessoal técnico, a Bombardier compromete-se a formar até 55 pilotos da “AIR CONECTION EXPRESS – TRANSPORTE AÉREO S.A” no Tipo Q400, quando o normal para a aquisição de 6 aeronaves deste tipo seriam 36 pilotos. A Bombardier compromete-se a dar formação a 40 mecânicos bivalentes, mecânicos e aviónicos em vez dos normais 25. A Bombardier garante a presença de um representante de campo em Angola pelo período de 36 meses, (quando o normal seriam 12 meses), de forma a assegurar o inicio da operação da “AIR CONECTION EXPRESS – TRANSPORTE AÉREO S.A”.

A fabricante canadiana garante igualmente a presença de mecânicos para trabalhar nos aviões e dar formação em serviço aos técnicos angolanos 16 meses / homem, de forma a assegurar o início da operação da “AIR CONECTION EXPRESS – TRANSPORTE AÉREO S.A” , quando o normal seria somente a formação inicial dos mecânicos. A empresa garante a assistência em Angola de pessoal técnico da fábrica para as primeiras duas grandes inspecções chamadas “Check-C”. Para o arranque da operação da “AIR CONECTION EXPRESS – TRANSPORTE AÉREO S.A” , a Bombardier assegura a presença de instrutores da fábrica, quer a nível de mecânicos quer pilotos e assistentes de bordo, para um período de 16 meses / homem, que pode ser utilizado e ajustado conforme necessário, quando o normal para esta operação seriam somente 9 meses / homem. A Bombardier “oferece”, livre de qualquer custo pelo período de 5 anos, todas as subscrições técnicas referentes a Bombardier e garante auxílio para que todos os outros fabricantes envolvidos na fabricação do avião, como sendo Pratt na Withney Canada para os motores que já concordou em dar o mesmo suporte e Dowtey para as Hélices e Honeywell para o APU ofereçam o mesmo serviço livre de qualquer encargo pelo mesmo período, o que fará com que os custos de operação da “AIR CONECTION EXPRESS – TRANSPORTE AÉREO S.A” sejam mantidos ao mínimo possível.

A Bombardier compromete-se a avaliar a possibilidade de fornecer peças de reposição dos 20 itens que têm maior incidência de falhas a consignação até um montante de USD 1,800,000,00, criando assim o primeiro armazém de peças da Bombardier na África Austral. Foi também negociado com a Bombardier que o depósito inicial (Down Payment) fosse dividido em duas tranches, sendo a primeira no montante de 5% da transação (USD 7,170,000,00) deverá ser pago até ao dia 18 de Maio de 2018, a segunda tranche no mesmo montante até 60 dias após a assinatura do contrato. Não obstante ainda não ter recebido o depósito inicial, a Bombardier revelou considerar o contrato como firme e compromete-se a dar início a construção das aeronaves da Air Connection Express, S.A. no dia 7 de Maio de 2018, tendo como objectivo e caso não haja atrasos e ou incumprimentos por parte desta, de proceder a entrega de pelo menos 4 aeronaves durante o ano de 2019 e as últimas duas no ano de 2020. Outro compromisso assumido pela Bombardier foi também que não irá penalizar o consórcio com juros de mora e ou outras penalizações causadas pelas demoras nas transferências de divisas, devido a situação actual que o pais (Angola) vive, tendo condicionado somente a entrega de cada aeronave à recepção dos fundos referentes as aeronaves a entregar. Foi negociado um limite ao escalamento ao custo do dinheiro a um máximo de 2,25% sendo que acima deste montante a Bombardier assumirá o custo.

Conselho de Administração

De acordo com a proposta do organigrama de gestão, o Conselho de Admnistração (CA) deverá ser composto por não mais do que três administradores. A nomeação dos membros do CA será feita na proporção da participação social, sendo que o capital privado detém 60% do total da sociedade, e poderá nomear 2 administradores e o capital público que representa 40% da sociedade, poderá nomear o terceiro administrador.

Capital Social

O capital social será de 17.358.264,00 Kzs. (Dezasete Milhões Trezentos e Cinquenta e Oito Mil e Duzentos e Sessenta e Quatro Kwanzas) totalmente realizado em moeda corrente do país, dividido entre os accionistas da seguinte forma: TAAG 30%, ENANA 10%, BESTFLY 8.57%, AIR JET 8.57% , AIR 26 8.57%, AIR GU ICANGO 8.57%, DIEXIM 8.57%, SJL 8.57% e MAVEWA 8.57%.

Últimas Notícias