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2000 PROFESSORES COM SALÁRIOS SUSPENSOS NO CUANDO-CUBANGO

O número representa quase a metade dos efectivos da educação na província e está a dificultar o processo de ensino em muitos municípios. A província tem escolas vazias que não recebem crianças por falta de professores

POR: Milton Manaça

São no total 2047 professores que estão privados dos seus ordenados, no Cuando Cubango, em consequência da suspensão no pagamento salarial referente ao mês de Abril a 64 mil e 44 funcionários públicos em todo o país, decretada recentemente pelo Ministério das Finanças. A revelação foi feita ao OPAÍS pelo director do Gabinete da Educação daquela província, Miguel Kasavubu, à margem do Encontro Nacional da Educação que até Quarta- feira, 9, decorre em Luanda. O número representa quase a metade do efectivo da educação no Cuando Cubango, segundo o responsável, que se queixa dos constrangimentos que a medida tem causado nas últimas semanas, em que muitos professores deixaram de trabalhar.

“Em função da suspensão dos salários, o processo de ensino está debilitado em algumas localidades. Esperamos que o Governo resolva isso porque esses professores foram encontrados a trabalhar”, apelou. Os professores deixaram os seus municípios e neste momento encontram- se confinados à capital da província, Menongue, com o objectivo de preencherem os requisitos exigidos pelo Ministério das Finanças, para que lhes sejam repostos os salários. Miguel Kasavubu declarou que os agentes da Educação, com destaque para os provenientes do longínquo município do Rivungo, que tiveram de percorrer quatro dias até chegar a Menongue, não são professores fantasmas e nem com dupla efectividade. Realçou que em alguns casos o problema reside apenas na inexistência de um documento não actualizado, citando como exemplo o bilhete de identidade. Segundo ele, pelas condições da via, os professores que se deslocam à sede provincial, provenientes do Rivungo, Namacunde e Nancova, chegam a fazer até quatro dias para chegarem à capital, tendo reiterando o apelo para a resolução dessa situação.

Escolas vazias por falta de professores

Miguel Kasavubu disse não ter dúvidas de que o Cuando Cubango é a província que mais escolas constrói desde o alcance da paz, em 2002. Entretanto, realça que as cerca de 60 mil crianças em idade escolar que se encontram fora do sistema de ensino devem-no essencialmente à escassez de professores. Como exemplo, o responsável apontou os institutos médios e escolas do segundo ciclo construídos nos últimos anos cujo funcionamento aguarda pela contratação de pessoal docente. “Temos muitas escolas construídas e entregues à população, mas não temos professores para estas escolas”, lamentou. Para o concurso público que se prevê realizar ainda este ano, a “Terra do Progresso” recebeu uma quota de mil e 203 vagas. Kasavubu declarou que o número é inssuficiente, mas reconheceu que vai reduzir a carência de quadros na província, desejando que o mesmo se realize o mais brevemente possível.

Sindicato diz haver professores cadastrados a residir no estrangeiro

Para o secretário-geral do Sindicato de Professores e Trabalhadores do Ensino não Universitário (SINPTENU), Zacarias Jeremias, muitos professores estão a ser injustiçados com a suspensão de salários. Zacarias Jeremias disse não concordar com a forma como o Ministério das Finanças está a levar a cabo a medida, tendo denunciado a existência de cidadãos a residirem no estrangeiro e que foram cadastrados depois de serem chamados pelos familiares, ao passo que os professores que passam pelas salas de aulas estão afectados. “Muitos professores que não trabalham continuam a receber os salários e os que trabalham é que estão a ser penalizados”, rematou.

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