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Direcção da Movicel diz ter sido ‘traída’ pela Comissão Sindical

O director dos recursos humanos da empresa de telefonia móvel disse, ontem, que enquanto a direcção respondia a algumas das preocupações do caderno reivindicativo, a Comissão Sindical não respeitou a negociação e partiu para a greve, rompendo o diálogo

No segundo dia de greve na Movicel, a direcção chamou a imprensa para mostrar o seu posicionamento. Na voz do director dos recursos humanos, Paulo Abreu, a resposta da entidade empregadora à paralisação refere-se ao incumprimento, por parte da Comissão Sindical, do que teriam acordado em três dias de reuniões de negociação no mês de Abril.

As reuniões dos dias 18, 19 e 20 de Abril serviram também para negociar com a Comissão Sindical os aspectos do caderno reivindicativo, segundo Paulo Abreu. Tanto assim é que, como constou na acta que fez questão de apresentar aos jornalistas, a maior parte das preocupações, senão todas, mereceram respostas positivas, com a excepção do aumento salarial.

Quanto ao reajuste salarial na ordem dos 75%, ou tendo em conta a variação cambial, a entidade patronal, naquela “reunião de negociação, disse não ser possível responder na íntegra, na medida em que a situação económica que assola o país também afectou a Movicel”, disse.

Independentemente daquela resposta, o director dos Recursos Humanos disse que, na referida reunião ficou ainda patente que a proposta de aumento salarial seria devidamente analisada, e que posteriormente, com a aprovação dos accionistas, informaria a comissão sindical.

“Numa altura em que negociávamos, o sindicato partiu para a greve, sem mais nem menos, tendo provocado uma ruptura no diálogo”, reclamou. Os aspectos ligados às condições de trabalho, como a reposição da água potável, ar-condicionado e mobiliários, já tiveram respostas.

E é normal, para aquele responsável, que uma instituição que tenha 850 trabalhadores, com representação em algumas províncias, registe algum atraso nas questões logísticas, mormente a reposição.

Quanto à avaliação de desempenho, disse que foi feita uma, em 2017, que será excepcionalmente feita uma compensação, desta informação o sindicato teve conhecimento na reunião de negociação. “Só para mostrar, mais uma vez, que não estamos com problemas em negociar com eles”, sublinhou.

‘Não há disparidade entre angolanos e expatriados’

A Movicel afirma que são infundadas as acusações feitas pelos sindicalistas sobre a suposta intimidação aos trabalhadores.

O que a direcção fez, explica o director do RH, foi dar a conhecer aos trabalhadores que a sua assinatura foi usada para um propósito diferente, pela comissão sindical. E aqueles que não concordaram com o uso das suas assinaturas se manifestaram por escrito.

Desde 2016 a direcção implementou um novo indicador salarial, pelo que todos os trabalhadores que desempenham o cargo de chefia, independentemente de ser nacional ou estrangeiro, devem ser remunerados da mesma fora. Assim, Paulo Abreu desmente a informação de que há disparidade salarial entre angolanos e expatriados.

Quanto ao facto de a direcção da empresa ter supostamente vetado a comunicação interna, via email, dos sindicalistas, de forma a dificultar o contacto com os colegas das outras províncias, Paulo Abreu disse ser falso. “Por outra, não existe nenhum trabalhador a quem não foi processado o subsídio devido”, defende-se.

Para finalizar, disse que a empresa está a envidar esforços para responder à única preocupação que ficou por ser resolvida, que é a do salário. Por outra, pede que os trabalhadores voltem aos seus locais de trabalho e/ou tenham em atenção a Lei da Greve, pois é “algo sério”.

‘Não houve contraproposta, nem acordo’

Por sua vez, Costa Fernando Santos, secretário-geral do sindicato, disse que nas referidas reuniões de três dias os representantes da direcção não apresentaram nenhuma contraproposta, pelo que nenhum ponto foi negociado. “Deu-nos a entender que os nossos interlocutores não tinham poder de decisão e procuravam ganhar tempo”, disse.

Dos 14 pontos apresentados, segundo o sindicalista, o único que a direcção assumiu foi a reposição da água potável e do papel higiénico, que levou a convocar a Assembleia do dia 21 e partir para a greve. Na acta que referiram, não há nenhuma concordância, pois, se houvesse, os trabalhadores não teriam dado 72 horas para reconhecer.

“Em momento nenhum colocamos no caderno os 33% de subsídio de óbito. Com quem negociou se nós não reclamamos isso?”, disse o sindicalista, tendo reafirmado que a direcção está equivocada quanto às assinaturas, e que os trabalhadores teriam sido intimidados e convidados a assinar um documento, como forma de se demarcarem da assembleia de 21 de Abril.

Os trabalhadores continuarão em greve, para exigir um aumento salarial na ordem dos 75%; a reavaliação e reenquadramento do pessoal na nova tabela salarial segundo as categorias até Novembro de 2016; a progressão de carreira; o reajuste do plafond de saúde e das ajudas de custo; determinação do montante do prémio de avaliação de desempenho e formação.

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