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“Bob Marley visto de forma distorcida em Angola”

Celebra-se hoje em todo mundo o dia da morte de Bob Marley, ocorrida em Miami no ano de1981. O seu funeral na Jamaica teve honras de Estado. Em Angola, os amantes da sua obra e membros do movimento rastafari clamam por uma maior reconhecimento dos seus feitos em prol da defesa dos direitos dos negros africanos

POR: Norberto Sateco

Passados 37 anos da morte do maior expoente do estilo musical reggae, Robert Nesta Marley, ou simplesmente Bob Marley, a sua figura e a dimensão da sua obra continuam imortalizadas no seio de dos amantes do estilo, sobretudo afectos ao movimento Rastafári no país. Maioritariamente concentrados em Luanda, acreditam na máxima da filosofia rastafári, segundo a qual “rasta man never die”, o que significa que o rasta nunca morre. Para o rasta Bob Smith, a tese apega-se ao facto de a narrativa de Marley estar consubstanciada na ideologia de figuras como o activista jamaicano Marcus Mosiah Garvey e o imperador da Etiópia Haile Selassie, que era adorado como Deus da Jamaica.

“Todo o rasta é parte de um rasta, ou seja, uma pessoa que não morre, porque contínua vivo no nosso seio”, afirmou Smith, tendo acrescentado: à semelhança de Bob Marley, outras figuras como Haile Selassie, Garvey e Luter King, que partiram muito antes, também “continuam vivos nos nossos corações”. A dimensão artística e cultural de Marley, na visão da crítica, já vai sendo compreendida no seio da sociedade angolana, particularmente os estudiosos, defensores da raça negra e dos ideais do pan-africanismo.

Porém, maior divulgação precisa-se, virada para a camada mais jovem que demonstra interpretações contraditórias da realidade concreta, por falta de informação, defendeu outro membro do movimento rasta, Ras Josefe Kajihady. “Contínua a perdurar a ideia que Bob Marley era um simples cantor de reggae, famoso e que usava dread locks. Muitos não sabem que foi um pan-africanista, que esteve na proclamação da Independência do Zimbabwe e passou por Angola; que tem uma estrela numa das ruas de Hollywood pelos diversos prémios arrebatados ao longo da sua carreira; que foi um dos expoentes culturais de todos os tempos ao nivel do mundo”, resumiu Kajihady.

“Spoken word” marca reflexões à volta da morte de Marley

Tal como acontece todos os anos em várias partes do mundo, com a realização de várias actividades culturais e de reflexão sobre a obra de Marley, em Angola não será diferente. Neste sentido, está agendada para a próxima semana, na cidade de Luanda, uma actividade em que estará no centro das atenções o “spoken word”, ou seja declamação, para a qual está convidado o mestre de capoeira Kabuenha, que irá exibir batimentos do instrumento musical “Hungo”, típico da região Norte de Angola. “Hungo é bastante usado nas áreas de Luanda, um dos artista que mais o usava era o mestre Kamosso”, lembrou Josefe.

Dentro das atrações, realce para a exibição de tres números pelo mestre Kabuenha. Outra presença será a de Trombeta dos Santos, enquanto poeta versado no “spoken word”, que será antecedida de uma palestra de reflexão sobre a obra e dimensão do rei do reggae sob prelecção de Ras Josefe Kajihady. Entretanto, a data bastante celebrada no mundo inteiro, com destaque para a Jamaica, onde tem merecido cerimónias de “Nyabinghi”, ou seja festas regulares em varias datas e comemorações anuais (Groundation) que incluem o aniversário do Imperador Haile Selassie I (23 de Julho), a data da coroação do Imperador (2 de Novembro) e o aniversário da visita do Imperador à Jamaica em 1966 (21 de Abril).

Perfil

Bob Marley foi um cantor, compositor e guitarrista jamaicano responsável por tornar o reggae um ritmo conhecido mundialmente. Foi também um dos maiores representantes do movimento religioso Rastafári. Nascido em Saint Ann, Jamaica, aos 06 de Fevereiro de 1945, o seu pai foi um militar branco, capitão do exército inglês, e a mãe uma negra jamaicana. Após a morte do pai, em 1955, Marley e sua mãe foram morar na favela de Kingston, onde sofreu discriminação por ser mulato, facto que não era bem visto pelos negros daquela época e lugar. Em 1962 decide apostar seriamente na carreira musical e formou um grupo de reggae chamado “The Wailers”, juntamente com o conceituado Bunny Livingston e o veterano Peter Tosh, um dos exímios bateristas da banda naquela altura. Anos depois, Bob assina um contrato com a produtora americana Island Records, com a qual gravou um dos seus maiores sucessos “No Woman no Cry” (1975), que ficou conhecida mundialmente. A sua discografia é imensa, entre as suas músicas estão: “I Shot the Shaiff”, que fez grande sucesso na voz de Eric Clapton, “Could you be Love” e “Get up, Stand up”.

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