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Carta do leitor: Os postes humanos

Prezado director, Em sempre ansiei por uma cidade de Luanda cosmopolita, que não dormisse, com grande vida cultural, com arte por todo os lado. Com uma vida intelectual interessante, pois só assim um povo se pode desenvolver, vibrando com a sua arte.

POR: Paulo Bonga

Mas estou muito desiludido. Luanda é uma cidade que quase não dorme, isso é verdade, mas pelas piores razões. Aqui temos pouca actividade artística e mesmo a que existe não tem qualidade. O que vemos de dia já é triste, de noite é só bebedeiras. Há muitas casas de diversão noctura, ou seja, muitos espaços, porque muitos estão mesmo nos passeios, nas roulottes e janelas abertas. Quem anda de madrugada pela cidade vê muitos jovens entregues ao álcool, não interessa a área da cidade, é tudo igual, rapazes e raparigas. E, claro, também há música alta em todo o lado. Ao mesmo tempo, circulando pela cidade, ao lado dos postes de iluminação pública que estão quase sempre apagados, vemos uns outros postes mais baixos, que se multiplicam a cada dia. São raparigas, prostitutas. Está a dar medo o número de prostitutas em Luanda, desde os bairros mais chiques até os da periferia. Um dia passas numa rua e está limpa, no dia seguinte já encontras lá mulheres. Afinal a pobreza está mesmo a atingir as pessoas. Umas destas mulheres são pessoas das classes média das cidades do interior, vieram com a ilusão de conseguir tudo aqui e agora se prostituem. O meu medo é que as doenças sexuais aumentem e ninguém está a tomar conta da situação. Quem quiser constatar, é só andar à noite e de madrugada pela cidade.

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