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Loja dos Registos de Benguela inactiva por falta de combustível no gerador

Situada na sede municipal, a Loja dos Registos de Benguela ficou mais de uma semana sem funcionar, apesar de manter as portas abertas, porque não teve energia eléctrica, pois, alegadamente, não detinham recursos para comprar combustível para o gerador

POR: Zuleide de Carvalho, em Benguela

A Loja dos Registos de Benguela teve o seu labor suspenso ao longo de cerca de uma semana e meia, causando múltiplos problemas aos munícipes, por falta de combustível para provimento do gerador. Sendo o trabalho que realizam maioritariamente computadorizado, a falta de energia eléctrica impede-os de levar a cabo os procedimentos que permitem à população tratar do B.I., Registo Criminal, fazer reconhecimentos no Notário, entre outras burocracias. Para os cidadãos benguelenses, utentes dos serviços prestados por este órgão estatal, a sua inactividade, que desta vez durou mais do que uma semana, causou revolta e frustração, para além dos transtornos materiais. Pelo que se vê, lamentavelmente, é recorrente haver paralisação da actividade laboral na Loja dos Registos de Benguela, porque o estabelecimento não é contemplado pelo sistema de energia eléctrica geral, dependendo exclusivamente de um gerador. Assim, com preocupante regularidade, quando os recursos financeiros são escassos no cofre da instituição, quem sofre e paga é o cidadão, perdendo horas, dias, a deslocar-se à repartição, esperar e, regressar frustrado, de mãos vazias.

Cidadãos consideram a situação inadmissível

Ontem, pela manhã, a jovem Marissol Tomás protestou: “é muito complicado, sinceramente! Todos os dias temos de vir para tratar do B.I., porque não tem luz, não é possível… Será que não conseguem pôr combustível?” Márcio Neves, utente, mostrou o seu descontentamento quando entrevistado, fazendo saber que tem tentado tratar da sua documentação, sem sucesso, há uma semana e meia, porque este departamento do Ministério da Justiça não tem electricidade. “Estou preocupado porque, sem documentos, você não é Angolano, uma semana e meia para tratar dos documentos, nada, porque não tem luz”, para si, é inaceitável. Indignado, questionou: “onde pára esse dinheiro dos documentos? A seu ver, se os utentes pagam pelos serviços, esse valor arrecadado tem de ser usado para garantir o funcionamento da repartição e, deveria ser suficiente para pagar o combustível para o gerador.

Frustrado, indagou “se no meu bairro tem luz, como é que um empreendimento destes, do Estado, (na cidade), não tem luz? Uma Loja dos Registos não tem luz, onde é que já se viu isso!?” Já o cidadão Hélder Ovídio, disse ter tratado dos Bilhetes de Identidade dos seus filhos há dois meses. Ontem, foi tentar recebelos mas, de novo, a Loja dos Registos não funcionava por falta de electricidade. Tentando saber de mais informações, fez perguntas e, ter-lheá sido dito que “não há combustível porque tem que se fazer um despacho que vai para Luanda, só assim é que eles terão acesso ao combustível.” Para si, essa burocracia é ridícula e tem de ser substituída por um procedimento que dê resposta rápida aos problemas pois, “esse processo todo é que leva que a Loja dos Registos fique sem funcionamento.” Constrangimentos gerados são inúmeros. Em suma: crianças não estudam porque não têm documentos para apresentar nas escolas, adultos não conseguem emprego porque não têm BI, milhares têm faltas nos empregos e horas perdidas em vão.

Delegação Provincial da Justiça nega prestação de declarações

No final da manhã de Quarta-feira, dia 9, OPAÍS contactou a administradora da Loja dos Registos de Benguela, Susana Mendes, para obter explicações sobre essa inactividade recorrente e duradoura, por falta de combustível. A responsável declarou que a autorização para se pronunciar cabe á Delegação Provincial da Justiça. Entretanto, interpelada a Delegada da Justiça em exercício, Jandira Falso, esta não prestou esclarecimentos nem autorizou o pronunciamento da subordinada. Coincidentemente, ontem, pelas 10h da manhã, na Loja dos Registos, após entrevistar os cidadãos revoltados e agastados, a TV Zimbo presenciou a chegada de uma viatura que transportava garrafões com combustível, abastecendo-se o gerador. Passados alguns minutos, a energia foi reestabelecida e os serviços entraram em funcionamento, alinhando-se em filas as dezenas de cidadãos que aguardavam, para serem finalmente atendidos, após mais de uma semana à espera.

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