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“TENSAO” DESANUVIADA ENTRE ANGOLA E PORTUGAL

Dois dias depois de o Tribunal da Relação de Lisboa ter decidido o envio para Luanda do processo que envolve o ex-vice-presidente angolano, num caso de suspeita de corrupção de um procurador português, o ministro da Defesa Nacional daquele país chegou a Luanda para uma visita de trabalho de cinco dias

O ministro da Defesa Nacional de Portugal, Azeredo Lopes, disse, ontem, em Luanda, que tanto o Presidente português quanto o Governo daquele país consideram “positivo” o desfecho em Portugal do caso que envolve o ex-vice-presidente angolano, Manuel Vicente, acusado de ter corrompido um procurador português, Orlando Figueira, que está a ser agora julgado em Lisboa, no processo Fizz.

Azeredo Lopes considerou de “feliz” a circunstância em que chegou a Luanda, depois da decisão judicial. “Não vou esconder que prefiro chegar a Angola com esta decisão judicial, mas o convite e o trabalho prévio para cá estar hoje já iniciou há cerca de um mês”.

Entretanto, reforçou a que o Governo português sempre defendeu a não ingerência nas questões judiciais e no trabalho dos tribunais. Angola e Portugal têm cooperação na área da defesa que Azeredo Lopes diz ser antiga, profícua e benéfica para os dois países.

Desde 1983, já muito mais de mil angolanos frequentaram instituições militares portuguesas, além da presença “muito forte” de elementos das Forças Armadas portuguesas, dos três ramos, que é antiga. Portugal tem uma presença de que muito se orgulha, disse, independentemente de Angola ter uma linha de cooperação forte e rica no domínio da Defesa e da formação militar com outros países.

Azeredo Lopes considerou também que a cooperação técnico-militar entre os dois países tem sido benéfica para Portugal, nos três ramos: Exército, Marinha e Força Aérea, esperando que o seja para Angola também.

O paradigma da cooperação portuguesa com Moçambique, S. Tomé e Príncipe, Cabo Verde e Angola mudou, procurando-se que cada uma das partes faça, cada vez mais, uma análise clara do custo e benefício.

“Agora que estamos cada vez mais entrados no século XXI, a cooperação técnica militar tem de estar cada vez mais balizada, mais delimitada por autênticos cadernos de encargo que são os projectos em que vai incidir a cooperação.

Hoje, com as mudanças no panorama securitário” e também por Portugal ter regressado de forma significativa a missões de manutenção de paz, como acontece na República Centro Africana, “estamos a readquirir uma experiência no teatro de operações que é muito significativa, com a circunstância de se tratar de um teatro africano”.

Na República Centro Africana, disse, “depois dos comandos estão a operar a Força Aérea e os paraquedistas”. Mais adiante, disse que a Força Aérea portuguesa está a preparar-se para intervir no Mali, no âmbito da missão das Nações Unidas, o que significa a acumulação de um capital de experiência que deve ser valorizado.

FAA estão entre as melhores

Angola tem umas forças armadas muito competentes e muito profissionais, entre as melhores do continente africano, disse Azeredo Lopes. Por outro lado, destacou o papel de mediador que Angola tem protagonizado para a pacificação ou moderação noutros países, como aconteceu recentemente no Lesotho.

Os dois Presidentes, de Angola e de Portugal, falaram ao telefone recentemente e deram disso conta pública, pelo que a mensagem trazida pelo ministro resulta da sua presença de como membro do Governo de Portugal, sendo uma visita de amizade e profissional.

“Além da amizade, como se diz, amigos, amigos, negócios à parte”, daí a circunstância de esta amizade dever ser cultivada de forma cada vez mais profissional. Já sobre a cobertura mediatica tanto em Portugal, quanto em Angola sobre a cooperação entre os dois países, disse que os dois países têm uma história conjunta demasiado longa “para nos podermos dar ao luxo de não nos entendermos”, ressalvando aqui o factor da língua portuguesa que une os dois povos. No fim, salientou a necessidade do respeito pela soberania de cada um dos países.

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