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Angola e Namíbia erguem memorial em honra das vítimas de Cassinga

Os ministros da Defesa e das Finanças de Angola, Salviano Sequeira e Archer Mangueira, e da Protecção e Segurança da Namibia, Charles Nomaloh, encontraram-se na Jamba (Huíla)

Texto de João Katumbela, na Huíla

Os governos de Angola e da Namíbia prevêm a construção de um memorial para homenagear as vítimas do massacre de Cassinga na localidade com o mesmo nome, no município da Jamba, província da Huíla. Para o efeito, os ministros da Defesa e das Finanças de Angola, Salviano de Jesus Sequeira e Archer Mangueira, respectivamente, e o da Protecção e Segurança da Namíbia, major-general Charles Namoloh, assinaram o contrato de financiamento da obra. Falando aos jornalistas depois do acto de comemoração do 40º aniversário do massacre de Cassinga, o ministro das Finanças, Archer Mangueira, disse que as obras serão executadas em um ano, por uma empresa a ser escolhida pela República da Namíbia, e financiadas na totalidade pelo Governo angolano.

“As obras serão executadas no espaço de um ano, ou seja, 12 meses, por uma empresa escolhida pela Namibia e estão avaliadas em cerca de três milhões de dólares norte-americanos”, disse. Para o ministro namibiano da Protecção e Segurança, Charles Namoloh, a construção do memorial de Cassinga não só vai homenagear as vítimas do massacre, como, também, vai estreitar ainda mais as relações entre os dois países.

“Ao celebrarmos os 40 anos do massacre de Cassinga, estamos a lembrar dos nossos irmãos que foram massacrados aqui nesta localidade, e a construção do memorial vai servir, não só para homenageá-los, mas também aprofundar ainda mais as nossas relações que datam de há muito tempo.

O povo namibiano jamais se esquecerá do povo angolano, por ter aberto as suas portas quando mais precisamos, sem temer a tropa sulafricana”, afirmou. Por seu turno, o ministro da Defesa Nacional, Salviano Sequeira, destacou as ligações históricas entre os dois povos, tendo dito que “as mesmas tiveram no Rei Mandume a expressão mais emblemática da nossa determinação para o alcance dos feitos gloriosos na trajectória pelas nossas independências e liberdade dos povos de Angola e da Namibia”.

Salviano de Jesus Sequeira explicou que os acordos assinados e o financiamento assumido são indicadores do empenho dos líderes dos dois países perante a vontade dos povos, de manterem vivos os acontecimentos que marcaram o vínculo dos dois povos irmãos. “O compromisso de juntos construirmos dois monumentos na localidade de Cassinga, na província da Huíla, são desejos altos e decisões firmes que consolidam a nossa cooperação de fraternidade e solidariedade.

As circunstâncias políticas, as características dos nossos povos, as influências históricas e as heranças para as gerações presentes e vindouras, fazem parte da nossa existência como nações irmãs e nos animam a caminhar juntos rumo ao desenvolvimento e ao progresso” assegurou. Para o governador provincial da Huíla, João Marcelino Tyipinge, a construção do memorial vai relançar a localidade, pelo facto de se constituir um espaço turístico que merecerá a visita de muitos namibianos e angolanos.

“A construção destes memoriais vai fazer com que o município (e a comuna em particular) seja conhecido, pelo facto de se construir nesta mesma localidade um centro turístico, que vai, seguramente, ser visitado não só por namibianos, mas também angolanos que queiram ter contacto com a historia comum”, reconheceu.

O massacre de Cassinga aconteceu a 04 de Maio de 1978, quando o regime do apartheid atacou o campo de refugiados de Cassinga e a delegação da SWAPO que se localizava na comuna de Cassinga, a 95 quilómetros da sede do município.

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