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Putin inaugura ponte Crimeia-Rússia ao volante de um camião

Ao volante de um camião, o Presidente russo, Vladimir Putin, inaugurou esta Terça-feira (15) uma ponte que liga a Crimeia à Rússia, uma obra muito simbólica que destinada a reduzir o isolamento da península anexada por Moscovo em 2014

Sob um sol radiante, Putin instalou-se ao volante do Kamaz e começou a avançar. À frente de uma coluna de cerca de dez veículos, em 16 minutos percorreu os 19 quilómetros da Ponte da Crimeia, que liga a península de Kertch, na Crimeia, à península de Taman, no Sul da Rússia.

Do outro lado, na Crimeia, o Presidente foi recebido por uma pequena multidão, que o aplaudia calorosamente. “Em vários momentos da história, mesmo sob o czar, as pessoas sonhavam com a construção dessa ponte.

Elas tentaram de novo nos anos 1930, 1940, 1950 e, finalmente, graças ao seu trabalho e talento, esse projecto, esse milagre aconteceu!”, exaltou Putin, acrescentando que, para a Rússia, trata-se de um “dia excepcional, festivo e histórico”.

A televisão russa, que ao vivo, transmitiu imagens da travessia do caminhão, saudou os “heróis” que construíram a ponte. Lançada em Fevereiro de 2016, a obra foi encomendada à empresa do bilionário Arkadi Rotenberg, parceiro de judo do Presidente Vladimir Putin.

Segundo um decreto publicado no site do Governo, a companhia Stroïgazmontaj deveria entregar a ponte até Dezembro de 2018, ao custo de 228,3 biliões de rublos (2,9 biliões de euros na época). Durante uma visita em Março, alguns dias antes da sua reeleição à Presidência, Putin exigiu que a ponte fosse entregue já em Maio, “para que as pessoas pudessem aproveitar a temporada de Verão”.

A Crimeia é um destino de férias popular entre os russos. Os turistas do país são uma das principais fontes de renda para essa península apreciada pelas suas praias e montanhas, às margens do mar Negro. Carros e autocarros devem começar a circular a partir de Quarta-feira, revelou o Kremlin.

Os comboios são esperados para o final de 2019, atravessando o estreito de Kertch, um braço de mar entre o Mar de Azov e o Mar Negro. A ponte, que passa pela ilha de Tuzla, tem uma altura de 35 metros no nível do seu arco central. A velocidade máxima autorizada para carros será de até 120 Km/h, sempre que as condições climáticas o permitirem, segundo a agência de notícias russa RIA Novosti. Reduzir o isolamento Em entrevista à AFP, o primeiro- ministro ucraniano, Volodymyr Groïsman, acusou a Rússia de “pisotear o Direito Internacional” com essa ponte.

“A Rússia vai pagar muito caro”, garantiu. Um porta-voz da União Europeia também condenou a “nova violação da soberania” da Ucrânia por parte da Rússia, considerando que a sua construção foi feita “sem o consentimento” de Kiev.

“A construção da ponte busca uma maior integração forçada da península anexada ilegalmente à Rússia e o seu isolamento da Ucrânia, da qual continua fazendo parte”, ressaltou o porta-voz, reiterando a posição da União Europeia (UE) de não reconhecer a Crimeia como território russo.

A França também condenou a inauguração do projecto, que “contribui para privar a Ucrânia do pleno acesso e da utilização das suas águas territoriais internacionalmente reconhecidas”. Várias vezes, a Ucrânia denunciou a construção dessa ponte como um ataque à sua integridade territorial.

Para a Rússia, a Ponte da Crimeia deve permitir reduzir o isolamento tanto geográfico quanto económico da Crimeia, desanexada da Ucrânia em Março de 2014, após uma intervenção das forças especiais russas e de um referendo denunciado como “ilegal” por Kiev e por países ocidentais.

Em razão do bloqueio imposto por Kiev e das sanções ocidentais que se seguiram a essa anexação, a maioria dos produtos alimentares chega de barco da Rússia, um modo de entrega que depende de condições meteorológicas favoráveis. A Crimeia também depende da via aérea para se abastecer, o que acaba por acarretar uma alta significativa nos produtos básicos.

“Muitos não acreditavam na possibilidade de concretização desses planos. (Vladimir) Putin provou, mais uma vez, que os planos mais ambiciosos podem ser realizados sob a sua direcção”, declarou esta Terça- feira o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, em entrevista colectiva.

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