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Apenas 30% dos WC de escolas funcionam

A acessibilidade, limpeza e funcionalidade dos sanitários foram alguns dos indicadores usados por inquiridores que apontam o Cunene como a província em que o problema é mais acentuado

POR: Milton Manaça

Um estudo realizado nas 18 províncias do país por técnicos do Ministério da Educação, com o apoio do Banco Mundial, divulgado recentemente, em Luanda, indica que apenas 30% das instalações sanitárias das escolas do país funcionam. No estudo a que OPAÍS teve acesso, que tomou como amostra 554 escolas, indica que, do universo de instituições, apenas 60% apresentam sanitários, todavia, apenas metade estão em condições para serem usados pelos alunos.

A limpeza nos wc, funcionalidade e a acessibilidade são alguns dos critérios levados em consideração pelos investigadores, que concluíram haver assimetrias sociais entre as áreas urbanas, periurbanas e rurais, sendo a última a mais afectada com a falta desta estrutura. Sobre a disponibilidade de água, o estudo indica que a maioria das crianças não tem este líquido para lavar as mãos depois de fazerem as necessidades, estando a disponibilidade restringida igualmente aos escassos 30% das escolas.

O inquérito levado a cabo pelo SDI (Indicadores de Prestação de Serviços, sigla em inglês) e pelo EGRA (um programa de avaliação de leitura nas classes iniciais que permite proporcionar às crianças habilidades de lerem e compreenderem textos, assim como ganharem o gosto pelo estudo), aponta a província do Cunene como a que menos disponibilidade de sanitários para os alunos apresenta. Comparativamente a alguns países africanos, Angola aparece atrás do Quénia, Madagáscar, Níger, Tanzânia e Uganda, sendo que os sanitários limpos e acessíveis, superam apenas o da Nigéria e Togo. No país, os programas desenvolvidos pelo EGRA estão a ser implementados desde 2009, através de projectos-piloto nas províncias de Luanda, Cunene e Lunda-Sul, contando com o patrocínio do Banco Mundial.

Professores do Cuanza-Sul são os que mais faltam à escola

No inquérito consta também a avaliação de dois mil e 701 professores do ensino primário, 60% dos quais do sexo feminino e quatro mil e 544 alunos da 3ª classe. As conclusões indicam que os professores da província do Cuanza- Sul são os que mais faltam à escola, seguidos pela província de Benguela, Zaire, Bengo, Bié e Huambo. Os homens do giz que mais se apresentam às salas de aulas são os da província da Lunda-Sul. Doença, maternidade, formação e funeral, são as justificações mais invocadas pelos professores sempre que chamados pelos inquiridores. O estudo do EGRA e SDI indicam que 29% dos professores fica ausente da escola, enquanto 37% não entra nas salas de aulas. No que diz respeito aos resultados de testes de pedagogia, concluiu- se que a maioria dos professores primários tem dificuldades de preparar uma aula.

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