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Carta do leitor: o horror ao verde

Caro sr. director Esperando que permita a publicação deste meu desabafo, desde já agradeço. Quando do memorável encontro entre os líderes das Coreias do Norte e do sul, foi marcante o seu aperto de mãos, bem como o gesto da plantação de uma árvore, por ambos.

POR: (1) Pepetela Rosa Leal

por não ter ficado indiferente a tão simbólica plantação da árvore, logo me ocorreu o dever de chamar a atenção do estado em que se encontram as árvores da Baixa de luanda (e não só ), que já foram belas e frondosas, servindo agora de urinol, cabide, armário, dormitório, banca de trabalho. Este comportamento é testemunho flagrante das condições sociais a que têm sido sujeitos os seus praticantes que ali encontram, incorrectamente, oportunidade de ganha-pão e de bate-papo. salta à vista que carecem de ser sensibilizados, bem como apoiados pelos diferentes organismos competentes que devem, urgentemente, introduzir medidas de inclusão social eficazes. É certo que não será fácil aplicar medidas para salvar luanda, apelo há muito feito pelo falecido Rui de Carvalho, que apesar de mobilizar e entusiasmar meia cidade, esta acabou por ficar pior do que estava, graças às obras entregues a empreiteiros “espertos “, associados a angolanos altamente poderosos que não amavam a cidade, mas sim o betão. Assim surgiu o “horror ao vazio” (1), – eu direi ao verde- e invadiram- se espaços verdes, derrubaram árvores (algumas centenárias) e, o que é mais triste, esta saga continua. Como já vai longo este meu desabafo, não me fico sem apelar que se criem brigadas específicas, para tratamento das árvores já existentes, nos locais que foram abandonados como a zona verde de Alvalade, a floresta da ilha, o eixo viário, os jardins do Miramar e da samba, e dos poucos largos espalhados pela cidade. por fim, sugiro a plantação de árvores no cemitério do Benfica.

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