Crise “visita” Feira de Benguela

De participações anteriores na ordem dos 600 stands, a FIB 2018 baixou para 150. A sua realização é tida como um acto de coragem, ao remar contra a crise que o país vive

POR: Costantino Eduardo, em Benguela

O governador provincial de Benguela, Rui Falcão, procedeu, ontem, à abertura daquela que é tida como sendo a maior bolsa de negócios na região centro- sul de Angola, a Feira Internacional de Benguela (FIB). São 150 expositores de várias áreas de negócios que desafiaram a crise e decidiram participar na 8ª edição da feira. O evento, que se realiza todos os anos visando saudar o aniversário da cidade Benguela, está a ser afectado por uma redução significativa em termos de participação de expositores. Comparativamente à edição passada, em que participaram mais de 200 empresas, a presente fica muito aquém. Todavia, a organização, capitaneada pela Eventos Arena, diz-se optimista e, apesar da crise que afugenta empresários, promete continuar a organizar este “encontro”. Ciente do momento de dificuldade vigente, o presidente do Conselho de Administração da Eventos Arena, Bruno Albernaz, pede aos empresários que não cruzem os braços.

A vida, diz o empresário, é feita de ciclos. “Estamos convictos de que o momento é difícil, esperemos que brevemente estejamos na fase ascendente. Assim são as ferramentas que o Executivo da República de Angola tem criado para os empresários”, disse, desejando, depois, que a classe empresarial em Benguela assuma o papel importante que tem no nosso país. Por sua vez, o governador provincial enaltece o empenho e dedicação da Eventos Arena por mais esta oportunidade que oferece a Benguela, de mostrar o seu real potencial. Rui Falcão espera que os empresários aproveitem a oportunidade para promoverem os seus produtos e intercambiar experiências. “O meu abraço a todas as empresas públicas e privadas, a todos quantos estão aqui representados, na certeza de que ganharemos”, disse. Os expositores garantem ter trazido para a FIB vários serviços para os clientes/visitantes.

Os Caminhos-de-Ferro de Benguela, por exemplo, trouxeram à montra de negócios a prontidão do CFB no transporte de mercadorias. O seu PCA, Luís Teixeira, anunciou, ainda para este ano, o transporte do cobre da República Democrática Congo para Angola. Sem revelar números, o responsável diz acreditar que o negócio representa mais um passo para a sua empresa, em termos de arrecadação de receitas. A sociedade de Benguela enaltece a coragem da Eventos Arena de continuar o projecto FIB, apesar da crise. Um empresário confidenciou a OPAÍS que a redução significativa no número empresas é prova evidente de que foi difícil para organização promover esta bolsa de negócios. “É preciso ser corajoso. Se tivermos em conta as edições passadas, em que havia 500 a 600 empresas a participar, desta vez, sinceramente, é um descalabro”, disse.