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“Governo Correa” montou dispositivo de espionagem ao serviço de Assange

O governo equatoriano de Rafael Correa organizou um caro sistema de espionagem para proteger e dar apoio a Julian Assange, “o hóspede” que acabou, por sua vez, intervindo nas comunicações da embaixada em Londres, revelou o jornal “The Guardian” nesta Quarta-feira (16).

De acordo com do documentos obtidos pelo jornal britânico na sua investigação com Focus Ecuador, o governo de Correa pôs USD 5 milhões ao serviço desse dispositivo, do qual participou a Secretaria Nacional de Inteligência (Senain) – depois suprimida pelo sucessor de Correa, Lenin Moreno – e uma empresa de segurança que vigiava os visitantes de Assange, o pessoal da embaixada e a Polícia britânica. O dispositivo, cuja existência era ignorada pelo embaixador da época, Juan Falconí Puig, foi baptizado primeiro como “Operação Hóspede” e, depois, como “Operação Hotel”.

Na sua conta no Twitter, o Wiki- Leaks – a organização fundada por Assange – chamou a informação do “Guardian” de “libelo na linha da actual ofensiva dos governos do Reino Unido e dos Estados Unidos contra Assange”, negou que Assange invadisse o sistema informático da embaixada e anunciou que processará o jornal. O actual presidente Lenin Moreno considera “um problema herdado” a presença de Assange, e esta investigação pode-lhe dar novos argumentos. O jornal britânico alega que Assange acabou por criar o seu próprio acesso à Internet por satélite, conseguindo burlar o firewall do sistema da missão diplomática, o que lhe deu a possibilidade de vigiar as comunicações oficiais e pessoais dos funcionários.

O “Guardian” afirma ainda que a existência do registo detalhado de visitantes da embaixada pode ajudar a descobrir quem deu a Assange os e-mails da campanha democrata americana de Hillary Clinton, uma informação que certamente vai interessar ao procurador especial Robert Mueller. Ele investiga a possível interferência russa nas eleições americanas de 2016. Todo o mês, Correa recebia essa lista de visitas. Segundo o jornal, o então ministro das Relações Exteriores, Ricardo Patiño, também aprovou a operação. O criador do WikiLeaks, de 46 anos, refugiou-se em 2012 na missão equatoriana em Londres para evitar ser extraditado para a Suécia, que o reivindicava por denúncias de crimes sexuais. Ele nega. Assange teme deixar a embaixada equatoriana, ser detido e acabar

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