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Agente do SIC detido por assalto na via pública

O acusado usava uma arma de fogo da corporação para praticar delitos que tinham preferencialmente como alvo cidadãos estrangeiros. A instituição fala de um ex-agente, por sinal já expulso

POR: Paulo Sérgio

Um agente do Serviço de Investigação Criminal (SIC) central foi detido, por efectivos da Polícia Nacional, no início da noite de Quarta-feira, 16, no bairro dos Mártires, em Luanda, após ter assaltado um cidadão de nacionalidade maliana. Segundo uma fonte de OPAÍS, o agente, identificado apenas por Hamilton, surpreendeu a vítima e um seu amigo quando aquela trocava dinheiro no interior de uma viatura, na rua 14 daquele bairro. Empunhando uma pistola de marca Barak, o agente coagiu a vítima, que temendo pela vida, cumpriu escrupulosamente as ordens do “investigador” do SIC, a quem entregou cerca de cem mil kwanzas. Após a retirada do assaltante, a vítima acorreu à unidade policial da área para dar conta da ocorrência.

Em reacção, os agentes encetaram diligências que culminaram com a detenção do acusado, a apreensão da arma do crime, dos valores e de um passe do SIC. Já na esquadra, o suspeito confessou não ser a primeira vez que realizava acções daquela natureza, tendo explicado que actuava preferencialmente sozinho e que já esteve pelo menos uma vez detido pelo roubo de valores monetários a um comerciante estrangeiro, no município de Viana. Na esperança de obter mais informações sobre o assunto, OPAÍS contactou uma outra fonte afecta ao Gabinete de Comunicação Institucional e Imprensa do SIC central, que avançou apenas que o jovem já não faz parte desta instituição. “Não se trata de um agente do SIC, mas sim um ex-funcionário”, declarou.

Reincidência

Este caso ocorre cerca de um mês depois de o Tribunal da Huíla ter condenado o director-adjunto do Serviço Provincial de Investigação Criminal (SPIC) local, Abel Tchombinda Waiaha e mais dois funcionários desta instituição por, alegadamente, fazerem parte de uma quadrilha que desviou 123 camiões cisterna de combustível, causando um desfalque aos cofres do Estado de 581 milhões de Kwanzas. Razão por que foram condenados, em primeira instância, pelos crimes de Peculato, Concussão, Soltura de Preso, Abuso de Confiança, Associação de Malfeitores e Criminosa e Corrupção Activa. Dos 29 acusados neste processo, três foram absolvidos e 26 condenados a penas que variam de 12 a dois anos de prisão maior. Os condenados de oito anos para cima devem pagar 51 milhões 975 mil Kwanzas de indeminização ao Estado, de forma solidária, ao passo que os que apanharam entre oito a dois anos devem pagar 4 milhões de indeminização. Ficou provado em Tribunal que eles causaram prejuízos ao Estado de 552 milhões 825 mil kwanzas.

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