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Águas de piscinas podem originar várias doenças aos banhistas

As águas de piscinas sem manutenção adequada abrigam uma série de bactérias que podem ocasionar várias doenças do campo dermatológico, entre outras. Especialistas chamam a atenção dos amantes de banho de piscina para se acautelarem do contacto com água contaminada com bactérias que se aproveitam da falta de produtos químicos para proliferar e causar malefícios muito nocivos para a saúde

POR: Maria teixeira

A frequência de piscinas, principalmente privadas, que em determinados bairros se paga uma taxa para a entrada e, consequente, de banho, tem sido comum na cidade capital. O negócio é lucrativo e muitos jovens aproveitam, não somente para desfrutar do prazer de um banho de piscina, mas também para divertir- se, aos fins-de-semana. O que muitos não sabem é que estes “banhos colectivos” podem acarretar várias doenças, se a água da piscina não receber o devido tratamento.

Em entrevista ao OPAÍS, a médica dermatologista Érica Nelumba disse que existe uma propagação de infecções bacterianas ou fúngicas durante a utilização da água das piscinas, por serem micro-organismos que se encontram na água. A partir do momento em que as bactérias encontram um substrato, no caso o organismo ou a pele humana, fixam-se a eles em determinadas condições, tais como a diminuição da imunidade ou desenvolvimento de algum tipo de infecção. A médica explica que a “Tinha ou impingem” e a “Candidíase” são algumas das infecções fúngicas, fora as doenças respiratórias, que podemos apanhar nestes locais. As pessoas que fazem uso de piscinas têm maior probabilidade de apanhar Hepatite A, transmitida na ingestão de micro organismos, e outras doenças, da mesma forma, como a cólera e gastro-enterites.

Em muitos dos locais com piscina usa-se, para o tratamento da água, o cloro, que em excesso pode provocar ressecamento excessivo da pele, segundo a especialista, e, em função disso, agravar as doenças da pele pré-existentes, como a Dermatite Atópica, muito frequente em crianças que fazem o uso constante de piscinas e não hidratam convenientemente da pele. Apela às pessoas que têm piscinas em casa a fazerem a devida limpeza e a adequada aplicação do cloro, de forma regular. Igualmente para as pessoas que frequentam piscinas públicas, a procurarem aquelas que têm a certeza de que têm sido convenientemente limpas e de forma regular, a fim de evitar a proliferação de micro organismos. O melhor, para Érica Nelumba, é que tanto a criança, quanto o adulto, após o banho de piscina tirem o cloro da pele. Depois, fazer a aplicação de um creme hidratante, para repor a hidratação da pele que terá perdido durante o banho.

Características que a água da piscina deve apresentar

Para o engenheiro civil Olívio Fernando, é necessário que os proprietários de piscinas tenham um quite colorimétrico, bons profissionais e, no geral, as medições são feitas sem adicionar qualquer produto. A água da piscina deve ter PH entre 7 e 7,6, deve-se procurar manter a alcalinidade, uma vez por semana. Se a piscina não for devidamente doseada pode provocar dor nos olhos e irritação na pele. O cloro deve ser aplicado a cada 2 dias, sempre no período nocturno, de formas a evitar a evaporação do produto. Também podem ser usados em sua substituição germicida o Ozónio ou a salinização. “Muitos ignoram estes aspectos”, lamenta, tendo acrescentado que a água deve ser limpa, isenta de gorduras e outras partículas coloidais, que são retiradas com o auxílio do filtro da bomba – este que deve ser substituído uma vez por mês. Para aquele especialista, a natação fortalece a região do tórax, além do diafragma, ajuda na troca de oxigenação, previne problemas de saúde e é muito indicada principalmente para pessoas com bronquites, asmas, etc., mas aconselha aos banhistas de piscinas a preferencialmente frequentarem esses sítios na Estação Quente.

Cuidar de piscina pode custar 300 mil Kz

Olívio Fernando fez referência ao facto de que, quando a piscina é usada por muitos banhistas é recomendável aumentar a quantidade de cloro para a sua esterilização. Mas estudiosos do ramo (Hidráulica), manutenção e conservação em piscinas defendem que não é necessário trocar a água. “Para estes não existe água velha nem nova, existe água suja ou limpa, tratada ou infectada. O recomendável é recuperar a água com produtos químicos, com o auxílio de equipamentos de filtragem. Depois de aplicado o produto de tratamento da água, deve-se aguardar cerca de 2 horas”, referiu. A água de piscina própria para o uso deve estar regulada e não pode apresentar uma aparência turva, esverdeada ou gordurosa.

O ideal é que se mantenha a piscina sempre tratada, para que ela esteja pronta para ser utilizada. Para ele, cuidar da piscina não se resume em aplicar cloro, deve existir um controlo físico e químico, controlo do PH, alcalinidade e limpeza física da piscina. Nos dias de hoje existem ozonizadores, geradores de cloro, controladores de PH, cloro, entre outros. “Cuidar duma piscina com capacidade de 45m3 (45 mil litros), por exemplo, custa qualquer coisa como 300 mil Kz, em Luanda, no tempo de calor, pois ela é muito frequentada. Este valor inclui mãode- obra, manutenção das bombas, escovagem das paredes, limpeza dos filtros, compra de produtos químicos, etc”, explicou.

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