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“AcáciasFest”: um eloquente ‘diálogo entre artes’ em Benguela

O “AcáciasFest”, de tão bem-sucedido que foi, dispensa apresentações. Decorreu no município sede de Benguela, de 16 a 18 de Maio, alusivo ao quadrigentésimo primeiro aniversário da “Cidade Mãe de Cidades”

Texto de: Zuleide de Carvalho

Quinta-feira, 17, noite dos 401 anos que a cidade registou, Luís Kandjimbo, escritor benguelense que estima a sua terra, decidiu apresentar o seu livro “Acasos & Melomanias Urbanas”, inspirado no município que o viu nascer.

O lançamento ocorreu numa das câmaras do Museu de Arqueologia, hospedeiro da primeira edição do “AcáciasFest”, festival que dinamizou a cidade das Acácias Rubras por três dias, de manhã, de tarde e, principalmente, à noite. É “um livro em que é possível perceber o lugar de Benguela no discurso narrativo, por isso, Benguela é a personagem central, personagem toponímica, à volta dela gravitam outras personagens” proeminentes, humanas, explicou o autor.

Segundo o ensaísta, crítico literário e poeta, “o diálogo entre as artes é possível”, e o “AcáciasFest” prova isso. Crendo que “a literatura e a música podem humanizar as pessoas”, acha fundamental surgirem iniciativas semelhantes.

Iguarias talentosas em abundância…

Como não poderia deixar de ser, milhares de pessoas aderiram ao “AcáciasFest,” visitando e desfrutando das iguarias talentosas expostas pelos artistas, mas também aproveitando esse ambiente rico e pouco usual, para conviver com os amigos.

Na fotografia destacaram-se os fotógrafos artísticos benguelenses Bruno Caratão, Mufana Kajibanga e Bella White. As suas emocionáveis telas deram vida e ainda mais histórias às paredes do museu, carregadas de séculos de vivências de escravos.

A maioria dos participantes expositores proveio de pontos de Benguela e Luanda, porém, Armando Domingos veio de Saurimo, Lunda-Sul. Jovem artesão de 31 anos de idade, aprendeu a técnica vivendo 3 anos na África-do-Sul. “Alguns amigos que sobreviviam de artes convidaram-me para que eu pudesse aprender com eles. Depois preferi vir para cá, para executar as minhas próprias obras”, expôs o visitante, experiente nessa arte há 7 anos.

Nas carteiras de senhora, pastas para documentos, pulseiras e colares que faz, usa o coco como base, utilizando plásticos e tecidos para dar corpo a alguns dos acessórios que produz, conseguindo sustentar-se com a venda. Jorge Arrulo, director comercial da Soba Catumbela, comunicou que, com a iniciativa, “a responsabilidade social da Cuca é oferecer aos consumidores experiências diferentes do que habitualmente fazemos, abrindo as mentes, despertando-as…” alimentando-as com arte.

Consultando quem sabe sobre a matéria artística para limar as arestas do conceito do festival, “recolhemos as impressões de diversas pessoas que nos merecem confiança, artistas locais, e tentámos fazer algo equilibrado”, enunciou.

“Novas vivências e experiências, em todas as dimensões que arte e cultura podem oferecer”, é a promessa deixada pela patrocinadora e promotora deste encontro de génio, dom e talento, para os próximos anos de “AcáciasFest”.

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