Coreia do Norte pede a Seul o retorno de garçonetes “desertoras”

A Coreia do Norte pediu a Seul que repatrie as 12 garçonetes que supostamente fugiram para o Sul há dois anos, poucos dias depois de ter cancelado abruptamente uma reunião intercoreana de alto nível que era parte do diálogo entre os dois países. O tema provoca polémica: Pyongyang afirma que as mulheres foram sequestradas num restaurante e Seul insiste que elas fugiram voluntariamente.

O gerente do restaurante afirmou numa entrevista recente que mentiu às mulheres e que elas foram chantageadas para que o seguissem, acatando ordens da agência de espionagem sul-coreana.

O destino das mulheres pode colocar em perigo as relações entre os dois países, afirma um comunicado da Cruz Vermelha na Coreia do Norte, divulgado pela agência estatal de Pyongyang, KCNA. “As autoridades sul-coreanas deveriam enviar nossas cidadãs com suas famílias, sem atrasos, e mostrar, assim, a vontade de melhorar os vínculos entre o Norte e o Sul”, afirma a nota.

Na histórica reunião de cúpula de Abril na Zona Desmilitarizada que divide a península, o líder norte-coreano Kim Jong Un e o Presidente sul-coreano Moon Jae-in prometeram seguir com a desnuclearização e avançar para a paz.

Após a reunião, Pyongyang aceitou libertar três americanos que estavam detidos no país e convidou a imprensa internacional a acompanhar o encerramento da área de testes nucleares, antes do encontro de cúpula previsto entre Kim Jong Un e o Presidente americano, Donald Trump, em Singapura no próximo mês.

Mas após o rápido degelo, Pyongyang adiou por tempo indeterminado uma conversação de alto nível com a Coreia do Sul na semana passada, em protesto contra os exercícios militares conjuntos entre Seul e Washington, e ameaçou suspender a reunião com Trump.