Angola com 115 espécies de plantas ameaçadas

As plantas comumente conhecidas como mafumeira, mutchate, múmue e mupanda fazem parte da lista das vulneráveis. A bióloga Esperança da Costa acha necessária a adopção de legislação destinada à preservação das espécies ameaçadas, para que as mesmas beneficiem as futuras gerações

POR: Milton Manaça

A flora angolana apresenta uma lista de 115 espécies sob ameaça de extinção, segundo revelou ontem, em Luanda, a directora do Centro de Botânica da Universidade Agostinho Neto, Esperança da Costa. Até 2008, na lista de plantas ameaçadas constavam apenas 97, mas os estudos realizados nos últimos anos, pelo centro em referência, concluem a necessidade de reforçar as medidas de prevenção face à probabilidade da sua inclusão na lista de espécies em vias de extinção.

Esperança da Costa, que foi uma das prelectoras na Conferência Internacional da Biodiversidade, que até hoje decorre numa das unidades hoteleiras da capital, entende que o nível de ameaça às espécies vegetais em Angola apresenta elevada degradação, que pode concorrer, nos próximos tempos, para surgir um grupo de plantas em extinção no país. As plantas comumente conhecidas como mafumeira, mutchate, múmue e mupanda fazem parte da lista das mais vulneráveis elaborada pelo Centro de Botânica, que podem ser encontradas nas províncias costeiras e no Norte do país. Segundo a bióloga, é necessário alertar para que a situação não se agrave, sendo que o fornecimento da lista de plantas sob ameaça de extinção aos órgãos competentes ajuda o país a cumprir os pressupostos no âmbito dos compromissos internacionais. Entretanto, a responsável alerta que é hora de o Governo agir, e aponta para a necessidade de criar uma legislação destinada a preservar as espécies vulneráveis, permitindo que as mesmas continuem a beneficiar as futuras gerações. O quadro apresentado por Angola, segundo a bióloga é, na generalidade, o que apresentam os restantes dos países da África Austral, reforçando que Angola pretende apresentar uma estratégia adequada de conservação da fauna e da flora para garantir resiliência em termos de adaptação às alterações climáticas.

Restrição no uso de plástico

O ambientalista Vladimir Russo alinha no mesmo diapasão, acrescentando que mesmo que Angola tenha, em abundância, animais e plantas, porém, caso não proceda à sua protecção, os angolanos não poderão beneficiar- se. Vladimir Russo lembrou que a preservação da fauna e flora pode potenciar o turismo nacional, tendo lembrado que espécies de animais como a tartaruga conhecida por kitabanga, e o rinoceronte, não são vistas em Angola, há mais de 30 anos, coisa que tende a mudar. Para si, o principal problema ambiental de Angola são os resíduos sólidos que têm como elo mais fraco a falta de tratamento e reciclagem.

Medidas restritivas no uso de plástico é, na sua opinião, algo que o Executivo deveria adoptar, à semelhança do que acontece em alguns países africanos. “Neste momento, banir o uso de plásticos não é a solução, mas devia-se adoptar o pagamento de uma taxa que reverteria a favor de projectos ambientais”, defende, acrescentando que Angola pode seguir o exemplo de outras realidades, cujos Estados arrecadam somas avultadas com a reciclagem deste produto. A Conferência Internacional da Biodiversidade conta com conferencistas de instituições de ensino de vários países, entre universidades e institutos superiores da Alemanha, Cuba, Brasil, Portugal, Moçambique, Namíbia, a União Europeia e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.