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Luanda, o sol maior

Eu já ligo pouco ao gradualismo. É da Constituição, funcional ou territorial, vai acontecer, dependendo da vontade dos políticos. A discussão pode ser inócua. Estou, antes, interessado no modelo de desenvolvimento do país.

POR: José Kaliengue

Não é a instituição de autarquias, aqui ou acolá, que vai determinar o aprofundamento das assimetrias sociais, e muito menos o êxodo rural, ou do interior para o litoral. Este existe desde antes de as autarquias entrarem nas nossas discussões, por causa da guerra e por causa do modelo de desenvolvimento. O que se deve discutir, (sem retirar a importância da gestão política e administrativa – autarquias), é sobre como distribuir o desenvolvimento pelas regiões. Angola é excessivamente unipolar. Termos fábrica de leite em Luanda e não no Cunene, por exemplo. Tal como as fábricas de sumo, que deveriam estar no planalto, onde há mais plantações de fruta. O importante é criar novas capitais, novos pólos, Luanda tem que congregar todas as “capitais”? A financeira, a política, a industrial, a universitária, a tecnológica, até a agrária (com a Quiminha), a científica, etc? O Parlamento, os tribunais, tudo tem de estar concentrado em Luanda? Se assim continuar, criem-se as autarquias que se criar, Luanda continuará a crescer e o resto do país continuará a despovoar-se e a empobrecer. O que nos falta é a distribuição territorial das direcções de serviços e empresas. Criar outros sóis, com suficiente força de gravidade que permitam povoar e desenvolver harmoniosamente o país, até pela defesa da união e da integridade territorial. Com isto, sim, as autarquias terão importância nas nossas vidas.

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