Posada Carriles, o ex-agente da CIA que queria matar Fidel Castro

O ex-espião cubano da CIA Luis Posada Carriles, que faleceu esta Quarta-feira (23) nos Estados Unidos, aos 90 anos, era acusado por Cuba e Venezuela por atentados terroristas e considerado por Havana como o homem que durante anos arquitetou planos para matar Fidel Castro.

Caracas responsabilizou-lhe pela explosão de um avião comercial cubano que havia decolado dessa cidade em 1976. A acção causou 73 mortos. Já Havana lhe atribuiu uma longa série de actos “terroristas”, incluindo ataques a bomba contra hotéis na capital cubana, em 1997, nos quais um turista italiano morreu. O militante anti-castrista nunca foi julgado por esses actos nos Estados Unidos, onde viveu no sul da Flórida até ao fim dos seus dias.

Anticastrista desde jovem

Nascido em Cienfuegos, Cuba, em 15 de Fevereiro de 1928, Posada Carriles se opôs ao governo da Revolução cubana desde o início e fugiu para os Estados Unidos, onde teria um papel-chave no exílio cubano de Miami. Em 1961, alistou-se como voluntário para invadir a ilha pela Baía dos Porcos, numa acção promovida pela CIA. Ele não chegou a entrar em combate, porque a invasão foi rapidamente impedida pelas forças cubanas. Dois anos depois, ingressou no Exército americano, onde foi treinado em operações de Inteligência. Na época, a CIA apoiava os esforços dos exilados cubanos para derrubar o governo comunista de Fidel Castro, mas esse apoio ficou menos decidido após a frustrada invasão da Baía dos Porcos e de outros eventos-chave, como a Crise dos Mísseis com a União Soviética, em 1962, ou o assassinato do presidente John F. Kennedy, em 1963. Por um longo período da Guerra Fria, porém, Posada Carrilles continuou a ser um homem importante para os Estados Unidos e um factor de tensão permanente nas relações com Cuba.

Documentos americanos demonstram que Posada Carriles trabalhou para a CIA de 1965 a Junho de 1976. Parte da documentação tornada pública pela CIA, e divulgada pelo Arquivo de Segurança Nacional americano, indica que Posada Carriles ofereceu os seus serviços a essa agência, nos anos 1960, para dirigir grupos de exilados que lançariam acções militares contra o governo cubano. Numa petição sob o pseudónimo “Pete”, Posada detalha os armamentos e recursos obtidos por vários grupos do exílio cubano para realizar infiltrações militares em Cuba. Segundo documentação da época, em 1967, o agente deixa Miami rumo à América Latina e, enquanto mantém os seus vínculos com a CIA, realiza trabalhos nos anos 1970 e 1980 para os serviços secretos da Venezuela, Guatemala, El Salvador, Chile, Argentina, além de colaborar com armas os Contras na luta com o governo esquerdista na Nicarágua.

Planos para matar

Fidel Segundo o governo cubano, Posada planeou assassinar Fidel Castro durante uma visita ao Chile, em 1971. Tratava-se de uma operação “cuidadosamente planeada” pelo então agente da CIA, que mataria Fidel com um revólver escondido numa câmara cinematográfica. Ela seria carregada por “dois testas de ferro de Posada”, acreditados como jornalistas venezuelanos no Chile, como contou ao semanário “Granma Internacional” o general Fabián Escalante, então chefe da Segurança do Estado da ilha.

O plano fracassou e Fidel Castro – que sobreviveu a várias tentativas de eliminação por parte dos seus inimigos – faleceu em 2016, aos 90 anos. Protegido pelas sucessivas administrações americanas, Posada Carriles conseguiu escapar durante anos das acusações e dos pedidos de extradição de Cuba e Venezuela. Em 2005, foi detido nos Estados Unidos acusado de fraude migratória para a obtenção da cidadania, acusações das quais acabou absolvido em 2011. Doente de câncer, Posada Carriles faleceu esta Quarta de madrugada na sua residência em Miramar, Norte de Miami.