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Presidente da República quer mudança na gestão do MIREX

O Presidente da República, João Lourenço, orientou a implementação de medidas no Ministério das Relações Exteriores que permitam inaugurar uma era, de maior responsabilidade, em que não será tolerada a má gestão financeira e patrimonial ou, ainda, o nepotismo

POR: Rila Berta

O Chefe de Estado fez estas declarações na abertura da 8ª reunião de embaixadores que começou ontem, Quarta-feira 23, em Luanda, e que encerra amanhã. João Lourenço disse ser necessário que o país entre numa era em que não será tolerada a má gestão financeira e patrimonial, ou ainda o nepotismo praticado por alguns quadros responsáveis do próprio Ministério ou por chefes de missões diplomáticas.

Nesta senda, o Titular do Poder Executivo orientou que se actualize “com urgência” a relação das entidades com direito ao uso do passaporte diplomático, com o objectivo de vir a pôr cobro ao “actual estado de banalização deste importante documento com validade internacional”. Deste modo, recomendou que as autoridades recolham ou, pelo menos, não renovem um número de passaportes em posse de cidadãos que, até prova em contrário, não exercem, nunca exerceram ou deixaram de exercer qualquer função que os habilite a ser detentores do mesmo. “Trabalhemos para uma mudança radical na gestão do Ministério das Relações Exteriores (MIREX)”, afirmou.

Cerco aos funcionários sem qualificações

O titular do Poder Executivo afirmou ser necessário trabalhar para tornar a diplomacia mais eficiente e virada para a promoção da boa imagem do país, visando a captação do investimento privado estrangeiro e a promoção de Angola como destino turístico. Entretanto, apelou para que essa promoção seja feita com racionalização de recursos, tendo orientando, para o efeito, a redução de missões diplomáticas e do pessoal a trabalhar nas missões que continuarem. “Com isso, aumentará o número de países onde teremos embaixadores acreditados, mas não residentes”, referiu, acrescentando aguardar pelo início da implementação de medidas corajosas em que, referiu, o mérito deve ser premiado na hora de decidir quem fica e que m volta para o país. “Esta deve ser uma oportunidade que o senhor ministro, com certeza, não perderá, para mexer naqueles funcionários sem qualificações que foram nomeados apenas por serem familiares, ou de alguma forma, protegidos deste ou daquele político”, referiu.

Prioridade para o continente

Sobre prioridades, no âmbito diplomático, o Presidente da República destacou as acções a desenvolver no continente africano, para onde, orientou, deverão convergir todos os esforços. “Não só no sentido de melhorarmos cada vez mais as relações com cada um dos países africanos, como também no de prestarmos a assistência possível para contribuir para a resolução dos conflitos lá onde ainda subsistirem”. Relativamente ao conflito no Médio Oriente, que opõe israelitas e palestinianos, João Lourenço reafirmou a posição de Angola, referindo que o país continua a defender o respeito pelas resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que apontam para a criação do Estado da Palestina, convivendo pacificamente com o Estado de Israel. O Presidente da República defendeu a transformação do Instituto de Relações Internacionais em Academia Diplomática, devendo ser ministrados cursos de pós-graduação e mestrado em diplomacia. A 8ª reunião reúne 59 chefes de missões diplomáticas que representam Angola na América, Europa, Ásia e África e 30 directores do MIREX.

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