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Negócio de arredamento de salas de aula chega ao IMELUB

Estudantes do Instituto Médio de Economia do Lubango (IMELUB ) denunciam irregularidades no processo de transferência destes para algumas salas afectas ao Instituto Politécnico Estrela da Huíla, a custo da cobrança de um valor mensal superior em relação aos que não foram transferidos

POR: João Katombela, na Huíla

De um tempo a esta parte tem sido recorrente, na província da Huíla, particularmente no município do Lubango, a prática de arrendamento de salas de aula de escolas privadas às públicas. A primeira notícia sobre o assunto envolveu a Escola primária Nº 16, do bairro do Kwaua, arredores da cidade do Lubango, que transferiu para o Colégio Sapiência, mais de um milhão de Kz, para o arredamento de salas, facto que remete à conclusão de que o “negócio” é rentável para os gestores de escolas públicas. Desta vez, a situação envolve os alunos do Instituto Médio de Economia do Lubango (IMELUB), que procuraram a Rádio Mais/Huíla e o Jornal O País, para denunciar irregularidades no processo da sua transferência para salas afectas a uma instituição de Ensino Técnico Profissional da Igreja Católica, o conhecido Instituto Politécnico Estrela da Huíla. Os alunos do IMELUB vêm denunciar porque dizem existir tratamento desigual entre “os alunos do arrendamento” e os “que permanecem nas salas pertencentes ao instituto”.

Outrossim, os professores que garantem o funcionamento da escola são pagos pelos próprios alunos como se de um colégio se tratasse. Isto é, cada encarregado que tem o filho a estudar nas salas arrendadas, paga cinco mil Kz, por mês, depositado numa conta, domiciliada no BNI, em nome do Centro de Formação Profissional Estrela da Huíla. A diferença aludida pelos estudantes reside no facto de que os alunos que estudam no IMELUB, no bairro Lucrécia, estarem a pagar uma comparticipação na ordem dos 4500 Kz, pelo que pedem que se uniformize o valor a ser pago, como fez saber, Kaina Prata, uma das estudantes. Por seu turno, Darménia Armando, aluna da 10ª Classe, diz sentir-se enganada pela direcção do IMELUB, durante a realização das inscrições para o exame de acesso, porque não lhe foi informado que estudariam numa sala alugada e que teria de pagar 5 mil Kz por mês.

Directores das duas Instituições trocam acusações

Convidados a esclarecerem o assunto, os directores das duas Instituições (IMELUB e Instituto Politécnico Estrela da Huíla) caíram em troca de acusações. Por um lado, o responsável do Instituto Politécnico Estrela da Huíla diz que o IMELUB não cumpriu com os pressupostos acordados entres ambos. Francisco Polo, director do Estrela da Huíla, disse que a princípio a ideia era apenas de colocar nas suas instalações um número reduzido de alunos (240) que poderiam ocupar 3três salas de aula apenas, mas infelizmente o nosso parceiro, no período de matrículas enviou-nos uma lista muito vasta. O responsável aponta, como exemplo, as listas enviadas pelo Instituto Médio de Economia do Lubango do curso de Informática, que comporta 665 alunos.

“Nós matriculamos segundo as nossas capacidades, porque havia alunos que já haviam feito o pagamento das inscrições, bem como a respectiva comparticipação de 4 mil Kz. Dada a reclamação destes alunos, fomos obrigados a construir mais cinco salas. O director do IMELUB foi infeliz porque depois de trazer as listas, nunca mais nos visitou e fomos fazendo as coisas ao nosso jeito”, informou. Outra promessa não cumprida, segundo Francisco Polo, é a colocação de professores. Disse que o seu parceiro lhe tinha prometido que daria professores a partir do IMELUB, “o nosso espanto é que todos os professores que vieram são colaboradores e a maior parte nunca deu aulas. Prometeu ainda que seriam pagos, por cada aula mil Kz. Isto é uma irresponsabilidade”.

Entretanto, o director do Instituto Médio de Economia do Lubango, Belinho Joaquim Alberto, em sua defesa disse que os alunos que estudam no Estrela da Huíla são todos aqueles que não foram admitidos durante o arranque do presente ano lectivo. “Estes são alunos que não foram apurados no IMELUB, nós encontramos uma alternativa, para quem quisesse estudar, de forma voluntária, de formas a que não ficassem de fora. Aqueles que não aderiram estão à espera das vagas do próximo ano”, esclareceu, tendo acrescentado que a acção resulta de um entendimento entre a escola e os encarregados de educação. Questionado sobre a abertura de salas anexas, o gestor escolar disse que o processo foi feito sem imposição. Sobre os professores sem agregação pedagógica, Belinho Joaquim Alberto disse que o assunto não encontra enquadramento quando se trata do ensino técnico profissional.

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