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Prémio: Germano Almeida faz regressar Prémio Camões à África

O mais importante prémio literário de língua portuguesa coube ao escritor cabo-verdiano Germano Almeida, autor de uma obra iniciada em 1982 e traduzida em vários países.

A obra do escritor Germano Almeida contrariou, Segunda- feira, 21, o equilíbrio lusobrasileiro das últimas quatro edições do Prémio Camões. O anúncio do ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, segundo o qual o vencedor tratava-se de um autor africano não surpreendeu por completo, pois a rotatividade entre o triângulo habitual já estava a causar melindres. Desde 2013 que o prémio fugia àquelas literaturas, e depois de Mia Couto, Germano Almeida era um dos nomes favoritos.

Desta vez, na 30ª edição, o prato da balança voltou a pender para a língua portuguesa escrita nos países de África em que a literatura de Cabo Verde reuniu o consenso de um júri, cujo trabalho foi assumidamente pacífico e que desde o início pendeu para o eleito. Uma rotatividade de prémios que foi quebrada pela primeira vez em 1994, quando Jorge Amado venceu, após Rachel de Queiroz, repetindo-se em 1995 e 1996 em que Portugal, com José Saramago e Eduardo Lourenço, até Pepetela que veio repor a alternância mais consensual do Camões. Quanto ao facto de Timor e São Tomé e Príncipe não terem recebido ainda uma anuência do júri, o presidente do júri considera que no futuro a situação será outra. “Existe um grande escritor que mais cedo ou mais tarde será contemplado, mas como ainda é jovem, tem tempo”, isto no que se refere ao primeiro caso.

Quanto ao segundo, acha que “não existe a imposição de ser um ou outro país”. Um filme evocou a lista de 29 premiados anteriores, podendo ouvir-se vozes já pouco reconhecíveis: Miguel Torga e Sophia de Mello Breyner, por exemplo. Ou a do poeta Eugénio de Andrade (2001), que chamava a atenção para o facto de a poesia ser a voz mais portuguesa. Também desfilaram governantes da época, Collor de Melo e Fernando Henrique Cardoso, ou Mário Soares e Jorge Sampaio. O presidente do júri, José Luís Jobim, leu a acta da reunião que consagrou Germano Almeida, e explicou a razão da escolha: “Deliberou conceder por unanimidade o Prémio Camões ao autor caboverdiano Germano Almeida pela riqueza de uma obra onde se equilibram a memória, o testemunho e a imaginação; a inventividade da narrativa alia-se ao virtuosismo da ironia no exercício da liberdade, de ética e de crítica, conjugando a experiência insular e da diáspora cabo-verdiana. A obra atinge uma universalidade exemplar no respeito à plasticidade da língua portuguesa.”

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