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Kwame Sousa: “Somos poucos em São Tomé e Príncipe, mas bastante dinâmicos e procuramos ter visão”

De São Tomé e Príncipe chegou-nos a prestigiada exposição “Reino Angolar – Ponto de Partida” de Kwame Sousa, um trabalho que liga dois povos, os de Angola e de São Tomé, através do tema dos “Angolares”. Trata-se de uma proposta de 35 obras criadas durante cinco semanas de Residência Artística no ELA – Espaço Luanda Arte, com a curadoria de Dominick Tanner. Artista multidisciplinar, Kwame fala-nos da sua criatividade, das técnicas, na criação das obras e da sua interação com público na capital angolana, Luanda

POR: Augusto Nunes

Kwame Sousa iniciou há pouco menos de cinco semanas uma Residência Artística no ELA – Espaço Luanda Arte. Quantas obras compõem esta residência, quanto tempo levou a ser preparada e quais foram as técnicas aplicadas?

A exposição está composta por 35 pinturas, mais 2 vídeos e levou cinco semanas a ser preparada. Técnica mista i.e. acrílico + óleo + spray sobre tela.

O que retratam as obras?

“Reino Angolar – Ponto de Partida” é um trabalho que liga dois povos, os de Angola e de São Tomé, através do tema dos “Angolares”.

É a primeira exposição do Kwame exibida no ELA -Espaço Luanda Arte?

Sim. Aliás, foi a primeira exposição individual, precedida de uma participação colectiva na homenagem ao Mestre Kapela.

Como é que o público amante das artes plásticas está a encarar esta residência?

Uma experiência interessante, pois trata-se de um trabalho que liga dois povos através do tema dos “Angolares”.

O que gostaria que fosse incluído nesta residência e não se fez?

Penso que tudo aquilo que pensámos em fazer está feito.

Já é possível fazer-se um balanço desta residência?

Penso que sim, porque o ELA-Espaço Luanda Arte trabalhou de forma séria e a residência acompanhou este mesmo registo.

Como vai a sua interação com o público?

Muito interessante.

E com a classe artística, sobretudo os anfitriões?

É sempre interessante, mas gostaria que fosse de uma forma mais intensa. Até 4 de Julho a classe artística poderá visitar o trabalho exposto.

Qual é a previsão de uma nova exposição em Luanda?

Para já nada.

Em São Tomé e Príncipe?

A próxima exposição será em Agosto de 2018.

Quando e onde iniciou-se nas artes plásticas?

Sob influência de colegas descobri o gosto pelas artes no final do ensino pré-universitário, e comecei então a desenhar. Em 2000, desenvolvi uma linguagem interessante nas minhas pinturas, e fui um dos vencedores do Projecto “Experimentação 01”, que marcou a minha apresentação ao público na Galeria ´Teia de Arte´ em São Tomé e Príncipe.

Sente-se um artista realizado?

Ainda sou jovem e tenho muitos projectos por desenvolver, mas estou contente com o meu trajecto até agora.

Em São Tomé, já é possível viver somente das artes?

Sim, é possível -mas falo por mim.

Como é que Kwame Sousa identifica- se artisticamente?

Segundo dizem, pertenço à terceira geração de artistas do meu país, sendo considerado um dos artistas plásticos contemporâneos mais influentes no panorama internacional em representação de São Tomé e Príncipe.

Que aspectos gostaria de ver corrigidos ou melhorados ao nível das artes plásticas em São Tomé e Príncipe?

É muito importante a formação: temos que ter escolas que ensinem não só a fazer arte, como também a pensar sobre a arte.

Como funciona o ateliêr das artes plásticas em São Tomé e Príncipe?

Somos poucos em São Tomé e Príncipe, mas bastante dinâmicos e procuramos ter visão. Por exemplo, fui fundador da Primeira Escola de Arte Independente do meu país em conjunto com a minha Fundação Mionga Vantxi. Também colaboro activamente com o projecto Casa das Artes Criação Ambiente e Utopia´ (CACAU) em São Tomé e Príncipe, com a Galeria ´Zero Point Art´ (Galeria e Espaço de arte contemporânea) em Cabo Verde, com a ´Fundação Roça Mundo´ em STP, e com o portal ´BUALA´ (portal de Cultura contemporânea). As sinergias são essenciais.

O que gostaria de acrescentar?

Agradeço a forma como fui acolhido em Angola.

Percurso do artista

Kwame Sousa nasceu no Hospital Agostinho Neto em São Tomé e Príncipe, em Abril de 1980. É um artista verdadeiramente multidisciplinary, explorando uma enorme gama de mídias, técnicas e estilos. Sob influência de colegas descobriu o gosto pela arte no final do Ensino Pré-universitário, e começou a desenhar. Em 2000, desenvolveu uma linguagem interessante nas suas pinturas, e foi um dos vencedores do Projeto “Experimentação 01”, que marcou a sua apresentação ao público na Galeria ´Teia de Arte´ em STP. Em 2001, integrou, juntamente com o artista João Carlos Silva e outros, o grande projecto da “II Bienal de Arte de São Tomé e Príncipe. Aliás, a partir de 2001, passou por um longo período de descoberta e amadurecimento, e conviveu com diversos artistas de panorama internacional, e também passou por vários ´workshops´ com artistas de diversas partes do mundo – que lhe permitiu a ligação e a troca de experiências com diferentes linguagens artísticas.

Em 2002, expôs no Instituto Politécnico do Porto, Portugal, e seguiram-se várias exposições individuais e colectivas em São Tomé e Príncipe e noutros países. Em 2003, começou o seu percurso académico em Portugal, tendo passado pela Escola de Artes e Ofícios do Espectáculo (EPAOE) do Chapitô, e em seguida pela Escola de Arte Visuais (AR.CO), aonde estudou pintura e desenho. Durante o percurso académico, nunca deixou-se ser activo nos seus passos tendo participado em diversas exposições enquanto se formava. Mais recentemente, e com o projecto “Reino Angolar” participou na Bienal del SUR , na Venezuela, e passou o mesmo projecto pela Galeria Droogna Holanda, e por outros palcos de arte internacional.

Em 2014, participou na ´Bienal de Arquitectura´ em Veneza, e no ´Festival do Cinema´, em Lisboa, com o vídeo ´Mionga-House´. Neste momento, Kwame Sousa é fundador da primeira escola de arte independente do seu país em conjunto com a sua ´Fundação Mionga Vantxi´. Tambem colabora com o projecto ´Casa das Artes Criação Ambiente e Utopia´ (CACAU) em STP, com a Galeria ´Zero Point Art´ (galeria e espaço de arte contemporânea) em Cabo Verde, com a ´Fundação Roça Mundo´ em STP, e com o portal ´BU ALA´ (portal de cultura contemporânea). Com exposições realizadas em diversas galerias espalhadas pelo mundo, e participação em várias edições da ´Bienal´ de SPT, uma da ´Trienal de Luanda´, e uma do ´Festival de Filme e Arte de Bamako ´, pertence à terceira geração de artistas do seu país, sendo considerado um dos artistas plásticos contemporâneos mais influentes no panorama internacional em representação de STP.

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