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Militares tombados no Cuito Cuanavale terão monumento em Luanda

“Eles morreram por nós. Eles morreram pela Pátria. Por isso, temos a obrigação de lhes prestar homenagem a título póstumo e deles nos lembrarmos sempre”, afirmou ontem, no Cuito Cuanavale, o comandante da Força Aérea Nacional, Francisco Lopes Gonçalves Afonso

POR: Paulo Sérgio, enviado ao Cuito Cuanavale

Os militares da Força Aérea Nacional (FAN) tombados em acções e missões combativas na batalha do Cuito Cuanavale, na província do Cuando Cubango, terão os seus nomes inscritos num memorial histórico que será erguido, nos próximos tempos, na Base Aérea de Luanda. O anunciou foi feito ontem pelo general Francisco Afonso, comandante deste braço militar das Forças Armadas Angolanas, ao presidir à cerimónia de homenagem a 107 militares no activo, na reforma e na reserva, que participaram na célebre batalha que quebrou o mito de invencibilidade das forças armadas sul-africana, a 23 de Março de 1988, e a alteração da correlação de forças na região austral do continente africano.

Dirigindo-se aos presentes no Memorial à Vitoria da Batalha do Cuito Cuanavale, entre os quais as viúvas, Francisco Afonso explicou que pretende-se, deste modo, fazer com que as respectivas memórias possam fazer parte da história deste ramo e “quiçá” da história do país. “Eles morreram por nós. Eles morreram pela Pátria. Por isso, temos a obrigação de lhes prestar homenagem a título póstumo e deles nos lembrarmos sempre. A valentia de qualquer soldado só se conhece na guerra, pois, é perante o obstáculo que o homem se descobre”, justificou. Os homenageados ontem, na cidade do Cuito Cuanavale, foram brindados com um diploma de honra e uma medalha em reconhecimento aos seus feitos em prol da pátria.

No entanto, o comandante da FAN sublinhou que a mesma é justa e necessária, mas incompleta. “Sentimos que podemos fazer mais. Vamos continuar a caminhada. Fica a promessa de continuarmos a envidar esforços para, sempre que pudermos, honrar a memória dos outros que connosco caminharam, rasgaram os céus desta Angola batendo-se em busca desta paz que hoje nós temos a possibilidade de vivenciar”, prometeu. A escolha do Dia de África para realizar o referido evento, visou, sobretudo, aproveitar a sua transcendência no sentido de mobilizar e capitalizar as aspirações do Executivo em inscrever o monumento, junto das instituições internacionais vocacionadas, como património da Humanidade. Defendeu, por outro lado, que existem razões suficientes para que o dia 23 de Março passe a ser considerado como feriado em todos os países da região austral do continente africano.

Enumerou o facto de “ter escancarado as portas para a sua libertação total, da independência da Namíbia, com a aplicação da Resolução 435 do Conselho de Segurança das Nações Unidas; a libertação de Nelson Mandela e a abolição do regime anacrónico do apartheid”. Francisco Afonso explicou que tanto o papel da Força Aérea, como o da defesa Anti-Aérea e das Tropas Rádio-Técnica foram vitais e que há, inclusive, episódios em que helicópteros e aviões de caça entravam em zonas inimigas de forma quase suicida. “Tal era a bravura com que os nossos jovens pilotos estavam imbuídos que nem a própria morte iminente os fazia parar. Afinal, era necessário e imperioso socorrer as colunas, bombardear a retaguarda e as fortificações do inimigo”.

Homenageados satisfeitos

O tenente-general João de Oliveira Borges, um dos homenageados, considerou o gesto como sendo mais do que merecido e que engrandece-os pelos seus feitos em prol da pátria naquele teatro de guerra. Ombreando a patente de tenente, João Borges fez parte do grupo de jovens angolanos que, após concluírem a formação na antiga União Soviética, receberam uma formação de seis meses na cidade do Lubango, província da Huila, a fim de serem, posteriormente, destacados na frente de combate no Cuito Cuanavale. “Fui batizado aqui, nesta batalha. Cheguei aqui em Dezembro de 1986 e só sai seis meses depois”, frisou. Recordou que no dia da grande batalha havia mau tempo. Muita chuva, aumentando as dificuldades de os meios aéreos apoiarem as tropas angolanas que estavam na defensiva. O que se concretizou apenas no final do dia. No seu ponto de vista, a experiência adquirida nesta batalha foi muito útil para o culminar dela e de outras batalhas que ocorreram no território nacional. Na qualidade de director da academia da Força Aérea Nacional (FAN), diz se sentir satisfeito por ter contribuído na formação de muitos pilotos que ainda se encontram no activo. “Eles têm a missão de continuar a fazer com que esta máquina, que é a FAN, prossiga o seu curso normal. Nós já fizemos a nossa parte e estamos a deixar um legado”, frisou.

Memórias de guerrilheiro

Entre os momentos de vitórias e derrotas, recordou, com tristeza, os seus colegas que morreram na frente de combate, alguns dos quais com quem privou durante o período de formação numa das academias da ex-União Soviética. Como é o caso dos tripulantes de sete helicópteros que foram abatidos no ar, em Setembro de 1985, na altura em que ele ainda não se encontrava neste teatro de operações. “Isso doeu-nos muito. Não podemos dizer que o que aconteceu resultou de uma falha porque fomos surpreendidos pela espionagem. Provavelmente eles tiveram informações que os nossos helicópteros passariam por ali e queimaram todos”, disse.Considerou a visita efectuada por alguns dos integrantes das tropas Sul- Africana aos locais onde combateram contra o governo angolano, como um gesto louvável e que engrandece ainda mais a batalha a vitória da Batalha do Cuito Cuanavale.

“Quando estamos em paz temos que saber reconhecer o que nós fizemos de errado e o que fizemos de bem”. No seu ponto de vista, a experiência adquirida nesta batalha foi muito útil para o culminar dela e doutras que ocorreram no território nacional. Na qualidade de director da academia da Força Aérea Nacional (FAN), diz sentir-se satisfeito por ter contribuído na formação de muitos pilotos que ainda se encontram no activo. “Eles têm a missão de continuar a fazer com que esta máquina, que é a FAN, prossiga o seu curso normal. Nós já fizemos a nossa parte e estamos a deixar um legado”, frisou. A Batalha do Cuito Cuanavale decorreu entre 15 de Novembro de 1987 a 23 de Março de 1988.

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